segunda-feira, 28 de maio de 2012

Cronologia do Karate-do estilo Shotokan

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Séculos V e VI A.C.
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Uma casta de guerreiros indianos chamada "Kshatriya" praticava o "Vajramushti", que seria um dos primeiros indícios de lutas na Índia. Sua tradução aproximada poderia ser "aquele cujo punho cerrado é inflexível".
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Ano 520 D.C.
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Um monge budista chamado Bodhidharma ("Ta Mo" em chinês ou " Daruma Taishi" em japonês), viajou da Índia para a China para ensinar Budismo no Templo Shaolin (Shorinji em japonês). A lenda conta que quando ele chegou encontrou os monges do Templo numa condição de saúde tão precária, devido às longas horas que em eles passavam imóveis durante a meditação, que ele imediatamente se preocupou em melhorar-lhes a saúde.
O que ele ensinou foi uma combinação de exercícios de respiração profunda, yoga e uma série de movimentos conhecidos como "As Dezoito Mãos de Lo Han" (Lo Han foi um famoso discípulo de Buda). Esses ensinamentos foram reunidos em um só e os monges logo se descobriram capazes de se defender contra os muitos bandidos nômades que os consideravam uma presa fácil.
Os ensinamentos de Bodhidharma são reconhecidos pelos historiadores como a base de um estilo de arte marcial chamado Shaolin Kung Fu.
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Ano 840 a 846 D.C.
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Diferentes estilos de Kung Fu se desenvolveram quando as personalidades e as nuanças dos monges emergiram, além de suas observações das lutas dos animais.
Haviam dois templos Shaolin, um na província de Honan e outro em Fukien, ambos os templos, assim como muitos milhares de templos menores, foram saqueados e queimados. Isto foi supervisionado pelo Governo Imperial Chinês, que na época tinha uma política de perseguição e importunação sobre os Budistas. Os templos de Honan e Fukien foram mais tarde reconstruídos somente para serem destruídos por completo pelos Manchus durante a Dinastia Ming de 1368 a 1644 D.C. Somente cinco monges escaparam, todos os outros foram massacrados pelo imenso exército Manchu.
Os cinco sobreviventes tornaram-se conhecidos como "Os Cinco Ancestrais". Eles vagaram por toda China, cada um ensinando sua própria forma de Kung Fu. Considera-se que este fato deu origem aos cinco estilos básicos de Kung Fu: Tigre, Dragão, Leopardo, Serpente e Grou.
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Ano 1350 D.C.
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Introdução dos primeiros sistemas de lutas nas ilhas Ryukyu, localizadas ao sul do arquipélago do Japão.
Como cidadãos chineses emigraram para as ilhas de Okinawa, novos sistemas se desenvolveram através das relações comerciais com a China, Coréia, Japão e outras ilhas.
O nome genérico dado às formas de luta de Okinawa foi "Te", que significa "mão".
Haviam três principais núcleos de "Te" em Okinawa. Estes núcleos eram as cidades de Shuri, Naha e Tomari.
Conseqüentemente os três estilos básicos tornaram-se conhecidos como Shuri-te, Naha-te e Tomari-te.
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Anos 1417 a 1429 D.C.
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Em 1417, Sho Shin, neta do rei Sho Hashi de Chuzan, proíbe a posse de armas em Okinawa. Em 1429, o rei Sho Hashi unificou as três partes de Okinawa: Chuzan, Nanzan e Hokuzan, criando o reino Ryukyu.
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Ano 1609 D.C.
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O rei da dinastia viu-se obrigado a equipar um exército com o objetivo de repelir uma invasão das ilhas iniciadas por Shimazu, o daimiô de Satsuma (agora sede administrativa de Kagoshima). Os guerreiros riukiuanos recém-armados lutaram com notável bravura e valentia contra os soldados do clã de Satsuma, conhecidos e temidos em todo o país por sua habilidade guerreira, mas, depois do sucesso dos riukiuanos em algumas batalhas campais, um desembarque de surpresa realizado pelas forças de Shimazu selou o destino das ilhas e de seu monarca, que foi obrigado a render-se.
Shimazu reedita o decreto interditando armas, muitos riukiuanos (na sua grande maioria membros da classe Shizoku) começaram secretamente a praticar uma forma de autodefesa em que mãos e pernas eram as únicas armas.
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Ano 1669 D.C.
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A fabricação de todas as formas de armas, inclusive as espadas cerimoniais são banidas.
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Ano 1868 D.C.
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Descendente de uma linhagem samurai, nasce Gichin Funakoshi em 10/11/1868, em Yamakawa, Shuri, Okinawa.
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Ano 1879 D.C.
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Gichin Funakoshi, aos 11 anos, inicia seu aprendizado de To De (Okinawa-te), sob a orientação de Yasutsune Azoto e Yasutsune ltosu.
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Ano 1888 D.C.
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Gichin Funakoshi é aprovado no exame para professor escolar, em Shuri, Okinawa, e inicia no magistério no ano seguinte.
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Ano 1895 D.C.
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Dai Nippon Butokukai (Associação Japonesa das Grandes Virtudes das Artes Marciais), é fundada pelo governo japonês.
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Ano 1899 D.C.
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O Butokuden (Ginásio das Artes Marciais) é construído em Kyoto.
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Ano 1902 D.C.
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Gichin Funakoshi faz a primeira demonstração formal de Karatê-Do para Shintaro Ogawa, comissário escolar de Kagoshima.Um ano após, Gichin Funakoshi introduz o primeira programa de Karatê nas escolas públicas, na escola masculina para formação de professores em Shuri e também na escola média da Prefeitura de Daiichi.
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Ano 1906 D.C.
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Gichin Funakoshi publica, organiza e conduz a primeira demonstração pública de Karatê, em Okinawa. Yasutsune Azato, nascido em 1828, conselheiro militar do rei de Okinawa, discípulo de Sokon Matsumura, mestre de Funakoshi, Chotoku Kyan e Ankichi Arakaki, morre neste ano.
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Ano 1911 D.C.
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A Dai Nippon Butokukai Bujutsu Semmon Gakko (Escola de Especialização da Associação Japonesa das Grandes Virtudes das Artes Marciais) é criada no Butokuden (Grande Ginásio das Artes Marciais);O Ministério da Educação estabelece o estudo do kendô e/ou judô para estudantes da escola média no Japão.Um ano depois, Gichin Funakoshi introduz o Karatê para integrantes da Marinha Imperial no curso de formação de oficiais.
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Ano 1913 D.C.
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Nasce Masatoshi Nakayama.
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Anos 1914 e 1915 D.C.
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Gichin Funakoshi lidera grupo de mestres do primeiro curso regular de Karatê em centenas de demonstrações públicas organizadas por toda a Okinawa. Yasutsune Itosu, que nasceu em 1831, construiu a base do Karatê atual, era instrutor dos Guardas do Império e era o segundo principal Mestre de Funakoshi, falece em 1915.
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Ano 1917 D.C.
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Gichin Funakoshi efetua a primeira demonstração de Karatê no Butokuden, Kyoto, Japão.
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Ano 1921 D.C.
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Gichin Funakoshi demite-se do cargo de professor de escola pública e organiza a Okinawa Shobukai (Sociedade para Promoção do Espírito Marcial). Gichin Funakoshi e 10 alunos fazem uma demonstração de Karatê, durante a visita do Príncipe Imperial, no Grande Salão do Castelo de Shuri.
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Ano 1922 D.C.
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Como convidado do Ministro da Educação, Gichin Funakoshi faz demonstração de Karate na Escola Normal Feminina em Tóquio.Primeiro artigo sobre o Karate é publicado num jornal. "Karate: The Mysterious Art Wrath Produced". Jornal Tokyo Nichinichi.Gichin Funakoshi inicia o primeiro curso regular de Karate no Japão, no Tabata Popular Club.É estabelecido o primeiro clube de Karate em Meisei Juku, em Suidobota, Tóquio.Gichin Funakoshi escreve o primeiro livro de Karate, Ryukyu Kempo: To De, publicado pela Bukyo-Sha.
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Ano 1924 D.C.
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Gichin Funakoshi inicia o ensino de Karatê no dojô de Kendô de Hakudô Nakayama, em Yobashi.Gichin Funakoshi faz apresentação de Karatê no "Tóquio Invitational Prize Contest for Athletes", em Tóquio.Primeira agremiação de Karatê universitário é estabelecida por Gichin Funakoshi, na Universidade de Keio.
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Ano 1926 D.C.
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Gichin Funakoshi publica "Rentan Goshin Karate-jutsu" ("Strengthening of Willpower and Self Defense Through Techniques of Karate").
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Anos 1928 a 1933 D.C.
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Gichin Funakoshi executa uma apresentação de Karate para a Casa lmperial no "Sainei-Kan Hall", no recinto do Palácio Imperial.Mais de 30 núcleos (clubes, associações, etc...) de Karate são organizados nas universidades e também em outros locais.
Hirokazu Kanazawa nasceu na Prefeitura de Iwate, Japão, no ano de 1931.
É introduzido no Karate, o Kihon Kumite (luta combinada básica).
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Ano 1934 D.C.
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É introduzido no Karatê, o Jyu lppon Kumitê ( luta combinada, meio livre, de um ataque por vez).Um ano após, é introduzido o Jyu Kumite (luta de estilo livre), no Karatê.
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Ano 1936 D.C.
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Gichin Funakoshi publica “Karatê-Do Kyohan” (The Master Text of Karatê-do), e modifica o ideograma (Kanji) significativo de Kara (chinês), para Kara (vazio).É fundado a União Japonesa Universitária de Karate.
É efetuada a primeira demonstração de luta, no Centro Cívico de Tóquio.
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Ano 1937 D.C.
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Masatoshi Nakayama começa seu treinamento no Karatê com o mestre Funakoshi aos 24 anos.
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Ano 1939 D.C.
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É inaugurado o primeiro dojô no Japão, pelos alunos de Gichin Funakoshi e denominado “SHOTOKAN”, que significa "Academia de Shoto". "Shoto" em japonês significa "som do pinheiro", este era o pseudônimo artístico que o mestre Funakoshi assinava seus poemas.
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Ano 1943 D.C.
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O Dojô Shotokan é destruído por bombardeio aéreo durante a 2ª Guerra Mundial.
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Ano 1945 D.C.
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Morre de tuberculose, Yoshitaka (Gigo) Funakoshi, filho de Gichin Funakoshi.
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Ano 1947 D.C.
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A esposa de Gichin Funakoshi morre e ele retorna para Tóquio com objetivo de reconstruir o Karate.
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Anos 1948 a 1951 D.C.
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Inúmeras demonstrações de Artes Marciais são executadas nas bases aéreas americanas. Um grupo de demonstração de Karate, liderada por Masatoshi Nakayama faz apresentações.
Em 1949 é oficialmente organizada a Nihon Karate Kyokai (Associação Japonesa de Karate), tendo Gichin Funakoshi como Instrutor Chefe Emérito e Masatoshi Nakayama Diretor Técnico e Hidetaka Nishiyama, chefe do comitê de instrução.O Comando Aéreo Estratégico (SACI, envia 23 instrutores de treinamento físico para a Kodokan, onde receberiam instruções sobre artes marciais japonesas, num programa que continuou por 15 anos.
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Ano 1953 D.C.
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Gichin Funakoshi excursiona pelas longínquas bases do leste, a pedido do Comando Aéreo Estratégico, fazendo demonstrações de Karatê para milhares de soldados americanos. Introdução oficial do Judô e Karate nos Estados Unidos da América, através da primeira demonstração efetuada sob os auspícios do Comando Aéreo Estratégico (SACI). Na equipe de demonstração de Karatê destacam-se lsao Obata, Toshio Kamata (Watanabe) e Hidetaka Nishiyama.
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Ano 1954 D.C.
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Masatoshi Nakayama e Teruyuki Okazaki introduzem o Karatê na Tailândia.
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Ano 1955 D.C.
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A Nihon Karate Kyokai (Associação Japonesa de Karatê) é incorporada ao corpo educacional do governo japonês, sob o Ministério da Educação e abre seu primeiro dojô em Yotsuya, Tóquio.
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Ano 1956 D.C.
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Primeiro conjunto de regras e regulamentos para competição é publicado pela Nihon Karate Kyokai.Hirokazu Kanazawa inicia no Karatê com mestre Nakayama, logo após a sua formatura na Universidade Takushoku (Takudai).
Ele praticou Judô até que pode mudar seu treinamento para o Karatê, isto porque na época cada Universidade especializava-se na prática de uma modalidade esportiva ou de arte marcial, em geral, pertencer a uma Universidade e praticar alguma atividade em outra não era possível. Então teve que mudar de Universidade para poder praticar o que realmente queria.
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Ano 1957 D.C.
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Gichin Funakoshi morre em Tóquio, em 26/04/1957.
Primeiro Campeonato Japonês Universitário realizado no Ginásio Metropolitano de Tóquio. Primeiro Campeonato Japonês de Karatê é realizado em Tóquio, no ginásio Metropolitano e vencido por Hirokazu Kanazawa mesmo com sua munheca fraturada.
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Anos 50 - A chegada do Karatê ao Brasil
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O Karatê chega ao Brasil através da colônia japonesa, inicialmente no estado de São Paulo e posteriormente Rio de Janeiro e outros estados.
MITSUSUKI HARADA - chegou ao Brasil no ano de 1955, para trabalhar no Banco América do Sul, agência em São Paulo, e portava o 5º Dan outorgado diretamente pelo Criador do Estilo Shotokan Gichin Funakoshi. Nasceu na Manchúria em 1928, em 1948 entrou na Universidade Waseda.
JUICHI SAGARA - chegou ao Brasil no ano de 1957. Nasceu em Kanagawa, Japão no ano de 1934. Cursou a Universidade de Takudai, onde iniciou a prática do karate Shotokan. No Brasil, juntamente com Yassutaka Tanaka, Sadamu Uriu, e Tetsuma Higashino, todos colegas da Takudai, iniciaram na Vila Prudente em São Paulo de forma organizada o ensinamento da prática do Karatê.
EISUKE OISHI - em 1961 mudou-se para a Bahia aos 19 anos, mesmo não sendo faixa preta. Iniciou Denílson Caribé na prática do Karatê, sendo considerado o precursor do Karatê no estado da Bahia.
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Ano 1958
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Hirokazu Kanazawa torna-se o grande campeão do 2° Campeonato Japonês de Karatê ao vencer no Katá e em Kumitê.
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Ano 1960
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Hidetaka Nishiyama, com Richard C. Brown, publica o primeiro livro sobre Karatê em língua inglesa, “Karate: The Art of Empty - Hand Fighting” (Karatê: a arte de luta de mãos vazias).
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Ano 1961
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Teruyuki Okazaki chega na Filadélfia, como o primeiro instrutor oficial da Nihon Karate Kyokai nos EUA. É fundada a All America Karate Federation (AAKF), em Los Angeles, por Hidetaka Nishiyama. É realizado o primeiro Campeonato All America Karate no ginásio Olímpico em Los Angeles.
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Ano 1964
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É fundada a Federation of All Japan Karate-do Organizations (FAJKO), em Tóquio, no Japão.
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Ano 1965
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Os Primeiro Jogos da Amizade do Karatê entre equipes dos Estados Unidos e da Seleção Universitária Japonesa são realizados no Winterland Arena, na cidade de São Francisco, Califórnia.
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Ano 1966
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Mestre Masatoshi Nakayama publica “Karate-do Shinkyotei” (um novo método para ensinar Karatê-do), traduzido para o inglês como “Dynamic Karate”, esta obra apresenta a teoria formal da prática e do ensino do Karatê Shotokan e estabelece o básico para estudantes e instrutores do todo o mundo.
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Ano 1968
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Primeiro World lnvitational Karate Championship Tournament é realizado no Auditório Nacional do México, Cidade do México.
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Ano 1969
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Primeiro Campeonato da FAJKO - All Japan Karate-Do Championship realizado em Tóquio. Norihiko Iida, membro da Japan Karate Association (JKA) é o vencedor do primeiro Campeonato Japonês de todos os estilos.
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Ano 1970
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A WUKO (World Union of Karate Organizations, União Mundial das Organizações de Karatê) é fundada em 1970, sob lideranças de mestre Masatoshi Nakayama e do francês Jacques Delcourt, com o intuito de ser a entidade mundial de administração do Karatê como esporte.Primeiro Campeonato Mundial da WUKO é realizado em Tóquio, Japão. Primeiro AAKF National Collegiate Karate Tournment é realizado em St. Louis, Missouri, EUA.
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Ano 1971
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Primeiro Campeonato da NKK é realizado em Tóquio.
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Ano 1972
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É realizado em Paris, França, no mês de abril, o 2° Campeonato Mundial de Karate, organizado pela WUKO. Hirokazu Kanazawa foi o chefe da delegação japonesa e, novamente, Mestre Hidetaka Nishiyama foi o chefe da delegação americana.
Luiz Tasuke Watanabe, 18 anos, foi o primeiro ocidental a ganhar um título mundial de Karate, em 1972, Paris, França, no mundial WUKO, e único a ter seu recorde registrado no Guiness Book por ter, neste mesmo mundial, vencido 8 das 9 lutas que disputou por ippon, o ponto decisivo, conforme regulamento da época.
Denilson Caribé de Castro, herdeiro da técnica do mestre Eisuke Oishi, fundou juntamente com outros, em 23 de outubro de 1972, a Federação Bahiana de Karate (FBK), que seria uma das fundadoras da futura Confederação Brasileira de Karate, sonho que o mestre Caribé não pode ver realizado em função de sua morte. Primeiro bahiano a galgar a faixa preta, recebeu o título de "Patrono do Karate Brasileiro", homenagem póstuma concedida pelos inestimáveis serviços prestados ao Karate brasileiro. Também lhe foi outorgada a graduação de 8º grau, sendo um dos poucos mestres brasileiros a atingir essa graduação nesta época.
O Karate Kyokushin Oyama chega ao Brasil através de Seiji Isobe.
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Ano 1973
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Fundada a Pan American Karate Union (PAKU).
Realizado o primeiro Campeonato Pan Americano de Karate, no Rio de Janeiro, Brasil.O Karate brasileiro é um dos primeiros a participar do circuito mundial da WUKO.
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Ano 1974
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Em 13/07/1974 é fundada a Federação Paulista de Karate (FPK).
Hidetaka Nishiyama, após perder a vice-presidência da WUKO, funda em 27/09, uma organização mundial paralela a já existente WUKO, a International Amateur Karate Federation (IAKF), na cidade de Nova York, EUA, que agregava principalmente o estilo Shotokan da NKK. Durante vários anos, essas entidades lutariam entre si para obter o reconhecimento do COI, realizando seus campeonatos regionais, continentais e mundiais.
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Ano 1975
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Com atraso de um ano, conforme concepção original de ocorrer a cada 2 anos, a WUKO realiza o 3° Campeonato Mundial de Karate na Califórnia, EUA.
Em 1975, a IAKF (atual ITKF), patrocinada pela NKK, realizou a 1ª Copa Mundial IAKF em Los Angeles, Califórnia, EUA. Esta competição utilizou o regulamento "shobu sanbom" (numa mesma luta) a fim de agradar o COI e aproveitar o momento de popularidade do Karate, revelando assim uma grande ambição de tornar o Karate uma modalidade esportiva do programa olímpico, mesmo que para isto fosse realizado outro mundial, paralelo ao já existente da WUKO (atual WKF).Percebe-se aqui a força distinta dos mercados Europeu (WUKO, atual WKF) e Norte-americano (IAKF, atual ITKF) como indício do início da divisão do Karate mundial em função dos holofotes do COI.Hirokazu Kanazawa foi um dos árbitros deste evento.
O primeiro campeonato europeu da IAKF é realizado na cidade de Milão, Itália.
A Federação de Karate do Estado do Rio de Janeiro (FKERJ) é fundada em 07/10/1975.
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Ano 1976
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O Primeiro Campeonato Mediterrâneo de Karate da IAKF é realizado em Milão, Itália.
O Primeiro Campeonato Bolivariano de Karate IAKF é realizado em Lima, Peru.
O Primeiro Campeonato IAKF Asia-Oceania é realizado em Hong Kong.
O campeonato comemorativo do Bicentenário Americano, American Bicentennial Invitctional International Karate Championship, é realizado na Filadélfia, Pennsylvania.
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Ano 1977
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Em dezembro a WUKO realiza o 4° Campeonato Mundial de Karate em Tóquio, Japão.
Neste mesmo ano, a IAKF realiza o seu 2° Campeonato Mundial de Karate, também em Tóquio, Japão.
Hirokazu Kanazawa, senpai de Masatoshi Nakayama, funda em Tóquio, a Shotokan Karate International (SKI) após se desentender com a NKK.
É fundada em Denver, Colorado, EUA, por Teruyuki Okazaki, a International Shotokan Karate Federation (ISKF).
O Primeiro Campeonato de Karate IAKF América Central-Caribe é realizado na cidade do México.
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Ano 1978
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O primeiro Campeonato Nacional ISKF é realizado em New Orleans, Louisiana, EUA.
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Ano 1981
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Shigeru Egami, nascido em 1912, na prefeitura de Fukuoka, um dos alunos mais antigos e herdeiro da Shotokai, associação okinawana de Gichin Funakoshi, com quem iniciou os treinos aos 18 anos, falece de pneumonia a 08/01/1981.
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Ano 1980
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Em novembro a WUKO realiza o 5° Campeonato Mundial de Karate em Madri, Espanha.
Após acompanhar, nas mesmas cidades, os passos da WUKO na realização das 2 edições anteriores de seus campeonatos mundiais, desta vez, a IAKF realiza o seu 3° campeonato mundial em Bremen, Alemanha Ocidental.
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Ano 1982
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A WUKO realiza em Taipei, em novembro, o 6° Campeonato Mundial de Karate.
O Campeonato Internacional da JKA retorna ao All Japan Karate Championship em Tóquio.
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Ano 1983
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A IAKF realiza seu 4° Campeonato Mundial de Karate no Cairo, Egito, tendo sagrado-se vice-campeão mundial, o carioca Ugo Arrigoni Neto, fato que traria enorme repercussão ao Brasil.
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Ano 1984
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A WUKO realiza em outubro, o 7° Campeonato Mundial de Karate na cidade de Maastricht, Holanda.
Incentivados pelo COI, após muitas reuniões entre os dirigentes da WUKO e da IAKF, finalmente chegaria-se a um acordo sobre a extinção da IAKF e a adesão a WUKO. Para isto, foi realizado um torneio na Hungria visando a unificação das regras de competição: o shobu sanbom da WUKO e o shobu ippon da IAKF.
É fundada a American Karate Associations (AJKA), em St. Louis, Missouri, EUA.
É lançado mundialmente, o filme "The Karate Kid", que retrata o estilo Goju Ryu (estilo forte e suave). Ele ofereceria grande mídia e repercussão ao Karate Do de todos os estilos, causando um "boom" nas academias de todo o mundo nos anos 80.
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Ano 1985
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No dia 06 de junho de 1985, em Berlim, Alemanha, o COI reconheceu a WUKO, em caráter provisório, como a entidade dirigente do Karate mundial, fazendo com que muitos países que tinham a dupla filiação, ou seja, estavam filiados às duas entidades, caso do Brasil, decidissem pela única filiação a WUKO, desligando-se da IAKF.
Com o retorno da Shoto World Cup Karate Championship Tournament a Tóquio, a NKK decide voltar ao regulamento "shobu ippon", por acreditar que assim, o verdadeiro espírito e técnicas do Karate estariam melhor resguardados em ambiente de competição (em alusão ao ikken hissatsu).
Com esta derrota perante o COI, a IAKF quebrou o acordo feito com a WUKO em 1984 e passou a utilizar outros caminhos e expedientes para insistir em seu reconhecimento, confundindo o COI, e mudando sua denominação para International Traditional Karate Federation (ITKF), com a intenção de demonstrar que o Karate da ITKF (Nishiyama) e o Karate da WUKO (Nakayama) seriam esportes e modalidades diferentes. A ITKF começa então a aceitar como seus membros, organizações sem o reconhecimento "oficial" dos respectivos países.
Documentos assinados e cartas:
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http://www.eurokarate.eu/02recogn/0211e.htm
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Os próximos Jogos Olímpicos seriam em Seul, Coréia do Sul, Ásia, palco perfeito para a entrada do Karate Do. Infelizmente, pelo desacordo, o COI deu preferência ao Tae Kwon Do (os pés como as mãos).
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Ano 1986
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Seguindo a política das pessoas que dirigiam o Karatê brasileiro até 1985, através do Departamento de Karatê da Confederação Brasileira de Pugilismo, o Brasil ficou afastado da WUKO de 1973 a 1985, voltando a competir neste circuito em Sidney, na Austrália, por iniciativa de Ennio Vezulli, Denílson Caribé e outras pessoas que dirigiram o Karatê brasileiro a partir desta época.É realizado o 8º Campeonato Mundial WUKO em Sidney, Austrália, e o Brasil conquista uma medalha de prata com José Carlos Gomes de Oliveira, na categoria -75Kg, tendo como técnico Ennio Vezzuli.Teruô Furushô, senpai de Benedito Nélson, o "mão de ferro", 1° faixa preta brasileiro, funda a Universal Clube de Artes Marcias (UNICAM), organização que representaria os interesses da SKI de Hirokazu Kanazawa no Brasil.
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Ano 1987
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Falece em Tóquio, aos 74 anos, Mestre Masatoshi Nakayama.
O Brasil conquista a sua própria entidade nacional de administração da modalidade Karate, através da fundação da Confederação Brasileira de Karate (CBK) na data de 11/09/1987, e vincula-se ao Comitê Olímpico Brasileiro (COB), é reconhecida, através da Portaria nº 551, pelo Ministério da Educação, na data de 10/11/1987, como a entidade de direção nacional da modalidade, porém não consegue a unanimidade, desencadeando assim na cisão política do Karate brasileiro em duas grandes forças: o Karate oficial (CBK, WUKO), reconhecido pelo governo brasileiro e formador das seleções brasileiras e o Karate dos derrotados políticos ligados a ITKF.
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http://www.karatedobrasil.org.br/fichas_doc.html
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Primeira diretoria da CBK:
Presidente Fauzi Abdala João
Vice-Presidente Hugo Nakamura
Secretário Alcir Magalhães
Tesoureiro Aldo Lubes
Diretor Técnico Teruo Furusho
Diretor Médico Camilo Moraes de Albuquerque Lins
Diretor de Rel. Públicas Ubirajara Silva
Diretor Jurídico Antônio Ferreira Pinto.
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Ano 1988
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A WUKO realiza o 9° Campeonato Mundial de Karate no Cairo, Egito.
É registrado um n° récorde de países participantes (54) e competidores (1157).
A AJKA, representante da NKK nos EUA, obtém o registro da marca do símbolo nascer do sol, que representa em todo o mundo a NKK.
Marcelo Guimarães Arantes é eleito presidente da CBK para o período 1988/1991, tendo Teruo Furusho, diretor técnico da FKERJ e Presidente da UNICAM, como Diretor Técnico de sua diretoria.
A Confederação Brasileira de Karate do Tradicional é fundada.
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Ano 1989
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Após a morte de Nakayama, a NKK se divide em duas facções, uma liderada por Kimio ltoh e a outra por Tetsuhiko Asai.
Um ano após, em 10/06/1990, inicia-se o processo litigioso entre as duas facções pelo direito oficial da marca NKK.
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Ano 1990
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A WUKO realiza o 10° Campeonato Mundial de Karate no México.
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Ano 1992
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A WUKO realiza o 11° Campeonato Mundial de Karate em Granada, Espanha.
Até 1985 no Brasil, as mulheres eram proibidas de participar de competições de Karate na modalidade kumite. Já tendo sido anteriormente duas vezes vice-campeã mundial, em 1990 e 1991, Maria Cecília de Almeida Maia (Ciça) sagra-se campeã mundial na Copa do Mundo WUKO realizada em Fukuoka, Japão, tornando-se a primeira ocidental a ganhar o título mundial de Karate. Seu nome está no Guiness Book.
Apoiado pelo ex-presidente da FPK, Osvaldo Messias, Teruo Furusho lança sua candidatura à presidência da CBK, tendo como plataforma de campanha a sua diretoria técnica exercida no mandato que findava, estabelecendo-se então como o candidato da situação.
Em contra-partida, como oposição, é lançada a candidatura de Edgar Ferraz, então presidente da FPK, à presidência da CBK, contando com o apoio de outro ex-presidente da FPK, Laerte Ferraz.
O resultado da eleição dá empate, o que conforme o estatuto resultaria em nova eleição para o desempate. Este desempate nunca ocorreu em função da desistência de Teruo Furusho que indignara-se com o resultado.
Conforme o Estatuto, é considerado eleito para o período 1992/1995, como o 3° presidente da CBK, o paulista Edgar Ferraz de Oliveira.
Teruo Furusho e Osvaldo Messias aliam-se e desligam-se da CBK para fundarem uma outra organização paralela.
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Ano 1993
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Para adaptar-se às regras do Comitê Olímpico Internacional, foi exigida novamente por este, a união da WUKO e da ITKF sob a égide de World Karate Federation (WKF), fato este que traria um desenvolvimento direcionado à promoção do Karate mundial através da provável inclusão da modalidade no programa olímpico.
A união não foi possível por questões técnicas (qual regulamento prevaleceria) e participação política.
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http://www.eurokarate.eu/02recogn/0211e.htm
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A WKF absorve a antiga WUKO.
Num vacilo jurídico, a sigla WUKO fica à deriva.
No Brasil, ocorre o "estouro da boiada" após a promulgação da fatídica Lei nº 8672, de 6 de julho de 1993, a famigerada Lei Zico, que dava "liberdade" de associação a diferentes federações e/ou ligas de uma mesma modalidade, ocasionando na pulverização da força do Karate Do nacional em diversas organizações motivadas por ambições político-pessoais diversas.
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http://72.14.205.104/search?q=cache:ZixIjicAbI8J:www.inacionunes.com.br/int_leizico.html+lei+zico&hl=pt-BR&ct=clnk&cd=2&gl=br
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Ano 1994
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A WKF realiza o 12° Campeonato Mundial de Karate em dezembro na cidade de Kota Kinabalu, Malásia.
Durante as eleições da WKF, na Malásia, alguns aliados de Jacques Delcourt, então presidente, perdem o seu lugar como Fritz Wenland, vice-presidente WKF, e que criaria uma outra organização.
A partir do Rio de Janeiro (Teruo Furusho) e de São Paulo (Osvaldo Messias), amparados pela Lei Zico, após basearem-se no modelo UNICAM e se estruturarem, é fundada outra confederação de Karate denominada Interestilos, fato este que contribuiria negativamente para a fragmentação do Karate brasileiro em "n" organizações estaduais e nacionais, motivadas também pela pequena durabilidade da "sociedade" interestilos, desencadeando na subdivisão do grupo em futuras 3 partes.
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Ano 1995
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O Karate como modalidade esportiva estréia no Circuito Olímpico sob comando da WKF através de sua inclusão nos Jogos Panamericanos de Mar del Plata, Argentina.
No Rio de Janeiro é eleito para a presidência da FKERJ, Sensei Fernando Gomes da Silva.
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Ano 1996
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A WKF realiza o 13° Campeonato Mundial de Karate na cidade de Sun City, África do Sul. Nesta competição, a macaense Samara Jardim conquista a medalha de bronze na categoria junior do kumite.
A World Karate Confederation (WKC) é fundada por um pequeno grupo, a 04/05/1996, em Frankfurt, Alemanha, servindo assim de abrigo para as "n" confederações que surgiam mundo afora, motivadas por perda de espaço político nas federações/confederações de origem, mesmo sem o reconhecimento de seus comitês olímpicos nacionais.
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Ano 1998
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A WKF realiza o 14° Campeonato Mundial de Karate no Maracanãzinho, Rio de Janeiro.
Sob o comando do técnico Antonio Fernando Pinto, o Brasil obtém o bicampeonato mundial de Maria Cecilia de Almeida Maia (Ciça) na categoria open, o vice-campeonato com Antonio Carlos Pinto na categoria -75Kg e o 3° lugar de Célio René Vieira na categoria -65Kg.
DVD do evento:
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http://amkk.nafoto.net/photo20071217135300.html
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Em assembléia realizada no Rio de Janeiro, ganha a eleição para a presidência da WKF, o espanhol Antônio Espinós, terminando assim a "era Jacques Delcourt".
Em reforço/atualização à Lei Zico, é instituída a Lei nº 9615, de 24 de Março de 1998, a Lei Pelé. As inúmeras facções do Karate brasileiro agradecem por legitimarem suas ambições político-pessoais, contribuindo assim para o enfraquecimento da modalidade.
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http://72.14.205.104/search?q=cache:O8uSOPHZRTgJ:www.saudeemmovimento.com.br/conteudos/conteudo_exibe1.asp%3Fcod_noticia%3D182+lei+pel%C3%A9&hl=pt-BR&ct=clnk&cd=1&gl=br
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Ano 1999
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No dia 18 de março de 1999 o COI, em sua 109º sessão, em Seul, Coréia do Sul, confirmou o reconhecimento em caráter definitivo da WKF, através de certificado em acordo com o artigo 29 da carta Olímpica, como a federação mundial dirigente da modalidade Karate.
O Karate, como modalidade esportiva, firma-se no Circuito Olímpico, através de nova inclusão nos Jogos Panamericanos, agora em Winnipeg, Canadá.
Em última instância, a 10/06/1999 a NKK vence o processo na Suprema Corte Japonesa pelo direito de sua marca, impondo uma derrota ao Grande Mestre Tetsuhiko Asai, 9º dan, um dos mais importantes expoentes do Shotokan.
A WKF realiza o 1° Campeonato Mundial de Karate exclusivo para as categorias juvenil (16/17 anos) e junior (18/20 anos).
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Ano 2000
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A WKF realiza o 15° Campeonato Mundial de Karate Senior em Munique, Alemanha, com um novo récorde de países e competidores participantes, 84 e 1295 respectivamente.
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A PALAVRA OSS

A PALAVRA OSS

É uma contração da palavra em Japonês ossishinobu, equivalente ao nosso bom dia ou boa tarde etc. A Palavra Oss, de origem japonesa, torna-se praticamente uma linguagem veicular no mundo do Karate, compreendida e trocada no meio de numerosos praticantes de varias nacionalidades, não somente nas ocasiões de encontros cotidianos, mas também para substituir as expressões tais como: Muito obrigado, Prazer, Até logo, Ouvi, Compreendi, etc. Ela deve ser emitida do baixo ventre e ser acompanhada de uma saudação apropriada, que denote respeito, simpatia e confiança ao próximo. Oss, transcrição fonética, se escreve, de fato, com dois caracteres chineses. O primeiro caráter, que significa literalmente pressionar, simboliza o espírito combativo, a importância do esforço e de afrontar todos os obstáculos, forçar o caminho e avançar com uma atitude positiva e imutável. O segundo caráter, que significa sofrer exprime a coragem e o espírito de perseverança; suportar as dores e resistir os momentos de depressão com paciência e sem renunciar, guardando sempre o moral alto. A juventude possui estas capacidades físicas e morais para afrontar todas as provações, é isto que define a juventude, entre tanto elas serão mantidas e desenvolvidas somente por um esforço cotidiano perseverante. O talento não tem nenhum valor sem o trabalho. A expressão Oss chama os jovens ao esforço máximo para que eles tomem uma resolução, se comuniquem e se encorajem mutuamente, estando depois assim educados para escolher seu caminho e vocação. Quando ela foi empregada pela primeira vez, entre alunos da Escola Naval Japonesa, já evocava seus princípios. A palavra Oss não deve ser pronunciada levianamente. Desde já reexamine sua atitude, postura, estado de espírito, pronunciação e sua harmonia.O busto se declina sempre mantendo o tronco reto, queixo retraído, articulando então a palavra. O movimento, a respiração e a articulação assim executada contribuem para preencher o baixo ventre com o Ki e a força. De acordo com princípios de AUN, quando se emite Oss a respiração e o som são IN. AUN, um método de respiração para atingir a harmonia com o universo, significa Céu e Terra, Yin e Yang, Inyo, os quais são componentes opostos (elementos positivos e negativos), conformam nosso Universo.

OS ESTÁGIOS DE EVOLUÇÃO DO KATA: SHU HA RI

SHU

É um antigo termo para designar a aprendizagem do kata. "Le premier théoricien du kata étant Zeami (1363-1443) dans le théâtre NÔ" [1].

A aprendizagem de um kata implica, numa primeira fase um simples exercício de observação. E a partir dessa observação gestual, o praticante reprodu-la e assimila-a. É a assimilação da forma exterior do kata.

Esta etapa tem o nome de SHU. Esta palavra tem a sua origem em mamaru, que significa proteger, observar uma regra[2]. Na fase SHU pretende-se proteger a forma para a conservar. É a etapa onde se assimila fisicamente as bases fundamentais da arte. É a parte em que se estuda e memoriza a gestualidade da forma. A reprodução do modelo limita-se a uma reprodução física. É o estudo elementar, aquilo a que se designa por ushin[3], mas que exprime a primeira preocupação do praticante, aquela de reproduzir o que ele vê em primeiro tempo. Ainda é a mente que faz as técnicas. O discípulo observa a arte do mestre, reproduzindo-a. Procura a reprodução que convém à sua própria constituição física. É o estudo pela imitação, decalcada do modelo exterior.

Resulta da representação mental ou imagem do movimento. O budoka tem uma representação mental do kata que vai executar. Quanto mais nítida essa representação mais possibilidades de a execução ser perfeita. Esta representação faz-se com os dados provenientes das memórias visual, táctil, auditiva, labiríntica e cinestésica. Consiste numa programação antecipada do acto motor.

É o córtex cerebral a base anatómica desta função. A imagem do movimento é transmitida aos centros nervosos adequados – a região temporo-frontal. Em seguida dá-se a impulsão motora voluntária com a transmissão da imagem pelos neurónios piramidais corticais até aos músculos, que realizarão as contracções musculares necessárias. Após a execução é feita a regulação motora, onde ocorre uma tentativa permanente de adaptar o kata à representação mental inicial.

Esta primeira fase da aprendizagem kata é a fase cognitiva. A compreensão do objectivo proposto e as componentes da tarefa motora constituem as principais preocupações do budoka. Este terá que analisar a tarefa, decidir o que fazer, o que não fazer, quando fazer, seleccionar as informações mais relevantes. É o estado "de l'élève qui a tout à apprendre" [4]

Característico desta fase é a quantidade enorme de erros que são cometidos no desempenho. Para além disso o praticante tem dificuldade em perceber o que está mal e em discernir o que corrigir afim de melhorar o desempenho. A ajuda do professor é indispensável devendo fornecer-lhe a informação mais relevante para o desempenho da tarefa. O feedback, ou seja a informação de retorno suplementar é importante nesta fase.

O budoka sente o seu progresso e o domínio cada vez maior da técnica, tal como lhe foi demonstrada e tal como a imita. Visto de outra maneira, é também a fase em que o ego se exalta pelos evidentes progressos.

Este é o estádio mais comum de compreensão do kata, mesmo para muitos budokas com uma graduação elevada.

HA




HA significa destruição[5]. É o princípio da interiorização do estudo por uma destruição do modelo imitado. É uma busca do que está para lá do modelo. É uma etapa muito rica do kata. Embora consista na destruição do kata. É a etapa do estudo profundo de um kata, junto de um mestre habilitado a ensiná-lo, procurando a descoberta de todos os seus segredos. Exteriormente poderá não haver diferença visível da execução técnica, mas o trabalho mental é intenso, implica uma desconexão entre o movimento e a mente. É a fase do estudo e da compreensão da utilidade de cada gesto. Estes têm a sua significação cognitiva e são sentidos fisicamente. Há hesitação no progresso do estudo. Pois a sensação física da execução de uma técnica perfeita e eficaz deve ser acompanhada de uma necessária compreensão intelectual. Sente-se o que se faz, mas sabe-se porque se faz e pode explicar-se a razão do que se faz. Este estado é de "création intérieure, stade ultime sur le plan technique" [6].

Em termos psicomotores esta segunda fase caracteriza-se pelo aumento da consistência e estabilidade do desempenho da tarefa motora. O número de erros tendem a diminuir. O que revela que o budoka se encontra neste nível. Este passa a ser capaz de determinar e corrigir os erros do seu desempenho. Os movimentos deixam de ser grosseiros e tornam-se mais harmoniosos e bruscos. Observa-se ainda a redução de sincinésias [7]. O processo de aprendizagem implica frequentemente o controlo de reflexos ou a sua inibição. É o processo de dissociação de sincinésias, ou seja, inibir um passado motor inato ou adquirido. É feito de modo voluntário pelo próprio. Há isolar a zona, tomando consciência da contracção exagerada ou inadequada e reduzir a tensão.



RI





RI corresponde ao estado de mushin[8], o espírito sem limites e significa afastar-se, suprimir. Neste estádio ocorre a execução técnica no momento certo. A técnica flui sem reflexão prévia. Nesta fase o budoka esquece o kata porque se "exécute un acte conforme au kata, on est le kata, on fait le kata." [9]

Nesta fase, nos aspectos psicomotores, a independência da prestação motora relativamente à necessidade de atenção consciente sobre a execução da tarefa caracteriza a terceira e última fase da aprendizagem - a fase autónoma.

O sujeito domina e automatizou o movimento, então liberta-se para se centrar em outros aspectos relevantes, como seja a crescente capacidade de antecipar a resposta em função de determinado estímulo. A baixa frequência de erros é evidente e manifesta-se no elevado nível da resposta. Visto de outro modo é a fase em que "l'élève se sépare de son maître pour enseigner ses propres conceptions et devenir lui-même un maître" [10].



SHU HA RI e SHIN GHI TAI





SHIN GHI TAI é o conjunto de espírito, carácter (shin); de técnica (ghi); e dos elementos corporais (tai), como a posição, o movimento, a energia física. Cada um destes elementos tem uma intensidade diferente em cada uma das etapas shu ha ri.

No primeiro estádio SHU, são predominantes o ghi e o tai. Neste estádio a gestualidade, a imitação do gesto, a reprodução do modelo dado, é essencialmente técnico e físico. O espírito encontra-se em estado de ushin.

Na etapa HA, o estudo continua a ocorrer através das sensações físicas, mas também a través de uma compreensão cognitiva cada vez mais intensa. São predominantes ainda o ghi e o tai. Pois continua o budoka em estado ushin.

Na última etapa, RI, shin ghi tai, harmonizam-se e fundem-se. O budoka atinge o estado de mushin. É possível a reacção espontânea face a não importa que ataque, com eficácia absoluta do corpo e da técnica. Algo reagiu. Algo lutou e venceu. Algo que não a mente de vigília.

OS ESTÁGIOS DE EVOLUÇÃO DO KATA: SHU HA RI

SHU

É um antigo termo para designar a aprendizagem do kata. "Le premier théoricien du kata étant Zeami (1363-1443) dans le théâtre NÔ" [1].

A aprendizagem de um kata implica, numa primeira fase um simples exercício de observação. E a partir dessa observação gestual, o praticante reprodu-la e assimila-a. É a assimilação da forma exterior do kata.

Esta etapa tem o nome de SHU. Esta palavra tem a sua origem em mamaru, que significa proteger, observar uma regra[2]. Na fase SHU pretende-se proteger a forma para a conservar. É a etapa onde se assimila fisicamente as bases fundamentais da arte. É a parte em que se estuda e memoriza a gestualidade da forma. A reprodução do modelo limita-se a uma reprodução física. É o estudo elementar, aquilo a que se designa por ushin[3], mas que exprime a primeira preocupação do praticante, aquela de reproduzir o que ele vê em primeiro tempo. Ainda é a mente que faz as técnicas. O discípulo observa a arte do mestre, reproduzindo-a. Procura a reprodução que convém à sua própria constituição física. É o estudo pela imitação, decalcada do modelo exterior.

Resulta da representação mental ou imagem do movimento. O budoka tem uma representação mental do kata que vai executar. Quanto mais nítida essa representação mais possibilidades de a execução ser perfeita. Esta representação faz-se com os dados provenientes das memórias visual, táctil, auditiva, labiríntica e cinestésica. Consiste numa programação antecipada do acto motor.

É o córtex cerebral a base anatómica desta função. A imagem do movimento é transmitida aos centros nervosos adequados – a região temporo-frontal. Em seguida dá-se a impulsão motora voluntária com a transmissão da imagem pelos neurónios piramidais corticais até aos músculos, que realizarão as contracções musculares necessárias. Após a execução é feita a regulação motora, onde ocorre uma tentativa permanente de adaptar o kata à representação mental inicial.

Esta primeira fase da aprendizagem kata é a fase cognitiva. A compreensão do objectivo proposto e as componentes da tarefa motora constituem as principais preocupações do budoka. Este terá que analisar a tarefa, decidir o que fazer, o que não fazer, quando fazer, seleccionar as informações mais relevantes. É o estado "de l'élève qui a tout à apprendre" [4]

Característico desta fase é a quantidade enorme de erros que são cometidos no desempenho. Para além disso o praticante tem dificuldade em perceber o que está mal e em discernir o que corrigir afim de melhorar o desempenho. A ajuda do professor é indispensável devendo fornecer-lhe a informação mais relevante para o desempenho da tarefa. O feedback, ou seja a informação de retorno suplementar é importante nesta fase.

O budoka sente o seu progresso e o domínio cada vez maior da técnica, tal como lhe foi demonstrada e tal como a imita. Visto de outra maneira, é também a fase em que o ego se exalta pelos evidentes progressos.

Este é o estádio mais comum de compreensão do kata, mesmo para muitos budokas com uma graduação elevada.

HA





HA significa destruição[5]. É o princípio da interiorização do estudo por uma destruição do modelo imitado. É uma busca do que está para lá do modelo. É uma etapa muito rica do kata. Embora consista na destruição do kata. É a etapa do estudo profundo de um kata, junto de um mestre habilitado a ensiná-lo, procurando a descoberta de todos os seus segredos. Exteriormente poderá não haver diferença visível da execução técnica, mas o trabalho mental é intenso, implica uma desconexão entre o movimento e a mente. É a fase do estudo e da compreensão da utilidade de cada gesto. Estes têm a sua significação cognitiva e são sentidos fisicamente. Há hesitação no progresso do estudo. Pois a sensação física da execução de uma técnica perfeita e eficaz deve ser acompanhada de uma necessária compreensão intelectual. Sente-se o que se faz, mas sabe-se porque se faz e pode explicar-se a razão do que se faz. Este estado é de "création intérieure, stade ultime sur le plan technique" [6].

Em termos psicomotores esta segunda fase caracteriza-se pelo aumento da consistência e estabilidade do desempenho da tarefa motora. O número de erros tendem a diminuir. O que revela que o budoka se encontra neste nível. Este passa a ser capaz de determinar e corrigir os erros do seu desempenho. Os movimentos deixam de ser grosseiros e tornam-se mais harmoniosos e bruscos. Observa-se ainda a redução de sincinésias [7]. O processo de aprendizagem implica frequentemente o controlo de reflexos ou a sua inibição. É o processo de dissociação de sincinésias, ou seja, inibir um passado motor inato ou adquirido. É feito de modo voluntário pelo próprio. Há isolar a zona, tomando consciência da contracção exagerada ou inadequada e reduzir a tensão.



RI





RI corresponde ao estado de mushin[8], o espírito sem limites e significa afastar-se, suprimir. Neste estádio ocorre a execução técnica no momento certo. A técnica flui sem reflexão prévia. Nesta fase o budoka esquece o kata porque se "exécute un acte conforme au kata, on est le kata, on fait le kata." [9]

Nesta fase, nos aspectos psicomotores, a independência da prestação motora relativamente à necessidade de atenção consciente sobre a execução da tarefa caracteriza a terceira e última fase da aprendizagem - a fase autónoma.

O sujeito domina e automatizou o movimento, então liberta-se para se centrar em outros aspectos relevantes, como seja a crescente capacidade de antecipar a resposta em função de determinado estímulo. A baixa frequência de erros é evidente e manifesta-se no elevado nível da resposta. Visto de outro modo é a fase em que "l'élève se sépare de son maître pour enseigner ses propres conceptions et devenir lui-même un maître" [10].



SHU HA RI e SHIN GHI TAI





SHIN GHI TAI é o conjunto de espírito, carácter (shin); de técnica (ghi); e dos elementos corporais (tai), como a posição, o movimento, a energia física. Cada um destes elementos tem uma intensidade diferente em cada uma das etapas shu ha ri.

No primeiro estádio SHU, são predominantes o ghi e o tai. Neste estádio a gestualidade, a imitação do gesto, a reprodução do modelo dado, é essencialmente técnico e físico. O espírito encontra-se em estado de ushin.

Na etapa HA, o estudo continua a ocorrer através das sensações físicas, mas também a través de uma compreensão cognitiva cada vez mais intensa. São predominantes ainda o ghi e o tai. Pois continua o budoka em estado ushin.

Na última etapa, RI, shin ghi tai, harmonizam-se e fundem-se. O budoka atinge o estado de mushin. É possível a reacção espontânea face a não importa que ataque, com eficácia absoluta do corpo e da técnica. Algo reagiu. Algo lutou e venceu. Algo que não a mente de vigília.
No Budō o reigisaho tem uma importância fundamental. Para o praticante ocidental, com tradições culturais diferentes das orientais, as exigências da saudação nas artes marciais japonesas, como o Judō, o Aikidō, o Karaté-Dō, entre outras, são comportamentos que lhe são estranhos e que por vezes adquirem um carácter tão só de obrigatoriedade. Todavia,

"qualquer arte marcial pressupõe a existência de uma severa disciplina na sua execução e aprendizagem; uma arte oriental não se pode conceber sem etiqueta. Diz-se que a arte marcial japonesa começa e termina pela delicadeza e respeito mútuo, indispensáveis à elevação da personalidade."[2]

O dōjō deve ser um local onde se desenvolve uma personalidade forte, com qualidades como a humildade, a lealdade, a cortesia, onde o caminho deve ser o de um conhecimento cada vez mais profundo de si mesmo, onde é importante Ter presente o significado da saudação, da cortesia, da etiqueta. Porquanto o dōjō é «un lieu sacralisé» onde se procura «l'unité du corps et de l'esprit par le cœur, centre d'énergie de la véritable communication, du ressenti, de la compréhension authentique...». É também, no dizer de Herrigel, "desde os tempos mais remotos: Lugar da Iluminação."

Podem encontrar-se duas atitudes básicas nos praticantes perante a saudação. Uma consiste na execução da saudação como se de uma mera obrigação se tratasse; a outra na execução da saudação de modo rígido e formal sem que seja acompanhada da consciência profunda do sentido do ritual, sem a consciência de que o dōjō é «le Temple privilégié où se célèbre une sorte de liturgie.»

A compreensão da importância do cerimonial é fundamental. A saudação é uma introdução à aula que permitirá ao praticante afastar a mente das preocupações e stress quotidianos, permitindo-lhe a concentração que a prática das artes marciais exige.

Por outro lado as artes marciais tradicionais desenvolvem, através da sua prática a agressividade de cada indivíduo (não confundir com violência). A saudação evita a degeneração de comportamentos agressivos, impedindo a falta de respeito pelo parceiro de treino.

Em todas as artes marciais tradicionais, podemos encontrar o reigisaho, concretizado de modo diferente de arte para arte, mas mantendo, quase sempre, o mesmo espírito e função.

No Ocidente, a aceitação ou rejeição do ritual da saudação, correlaciona-se com a atitude, mais ou menos tradicional que os praticantes têm para com o Budō. Nas escolas tradicionais, havendo um processo mais profundo de aceitação da cultura oriental, a forma de estar destes adeptos, dentro e fora do dōjō, na prática marcial e na vida, traduz, em regra uma maior compreensão da etiqueta tradicional.

Tradicionalmente, no Budō a etiqueta deve ser uma constante da vida. Os gestos devem ser belos, precisos, lentos, mesmo os mais quotidianos, como sentar, ou levantar, caminhar, ou dar algo a alguém. Pois "chaque geste devait être executé de maniére à ce qu'il permette, dans la fraction de seconde qui suit une attaque-surprise, de recourir à la riposte efficace.»[7]

É entendido, tradicionalmente, que a forma de saudar, só por si, revela o nível de compreensão da arte.

A função psicológica da prática marcial é influênciada pela saudação. A forma de o fazer poderá dar-nos indicações sobre a personalidade de um praticante, se ele é tímido, agressivo, reservado, etc..

A saudação interfere não só com as funções psicológicas, mas também com as funções fisiológicas.

A saudação, considerada num plano prático, é uma tomada de consciência do corpo e do controlo respiratório através de um movimento bem simples. E isto é tão verdade, que a estabilidade e segurança de um mestre, na saudação, são evidentes. De tal modo que o contrário também é verdadeiro. O valor marcial de um indivíduo revela-se na saudação. Não é credível que alguém que não consiga manter-se sentado de modo estável para saudar, consiga executar com eficiência um outro movimento. Como ensina o saudoso Jazarin, os verdadeiro Mestres saúdam

"profundamente, casi de forma majestuosa, porque toda su experiência, su conocimiento, su humildad están presentes en esse saludo."[8]

O controlo respiratório pode ser exemplificado com o ritsu rei, ou tachi rei, isto é, saudação em pé, com os pés em musubi dachi:

Os calcanhares devem estar unidos, a frente dos pés afastados cerca de 45.º, pernas direitas, coluna vertebral erecta, ombros naturalmente colocados na sua posição anatómica, mãos abertas e dedos esticados, colocadas lateralmente nas coxas. No instante anterior ao da saudação inspira-se. Quando o tronco faz uma certa flexão em frente, expira-se. No momento em que o tronco retorna à vertical inspira-se novamente, podendo a expiração seguinte servir para a execução imediata de uma técnica, seja de ataque ou de defesa. A descrição respiratória é válida para o zarei, a saudação feita a partir da posição de sentado – seiza.

Num dōjō podem encontrar-se vários tipos de saudação.

A prática marcial começa com uma saudação interna, a saudação a si mesmo, dirigida ao íntimo de cada um, com a qual se pretende alcançar o Mestre Interno [9].

Ao entrar no local de prática há uma primeira saudação exterior, aquela que é feita ao dōjō, com a qual se demonstra respeito ao lugar da prática.

Com o início da aula todos os praticantes executam, ao mesmo tempo, uma saudação à tradição passiva. Esta saudação feita em direcção ao kamiza, «local dos deuses», onde simbolicamente a tradição passiva se condensa, é o kamiza ni rei, ou shomen ni rei. Representa o respeito pelos mestres que nos antecederam, pela cadeia de transmissão do saber. Exprime o respeito pelas gerações anteriores, que nos legaram a arte com sofrimento e por vezes com o custo da própria vida. É não só uma humilde e sincera homenagem à tradição passiva, mas também uma forma de inspiração no seu exemplo.

Segue-se a saudação à tradição activa. O Mestre volta as costas ao kamiza e é saudado – é o sensei ni rei. Traduz o respeito devido ao mestre, como representante, através da actividade de ensino e de aprendizagem do Budō, da tradição activa.

Se estiverem perante a classe vários mestres há, neste momento, lugar ao yudansha ni rei, a saudação entre os mestres.

Segue-se, durante toda a prática, no início de cada exercício, de cada técnica, de cada combate, a saudação ao companheiro, o otogai ni rei. Representa o respeito profundo pela integridade física e psicológica do outro. Significa que, através o nosso esforço e empenho na prática, lhe vamos proporcionar a possibilidade de progredir.

No fim de cada aula repete-se o percurso acima referido, com pequenas alterações na ordem das saudações.

Algumas escolas tradicionais, ainda cultivam o sempai ni rei, saudação entre os alunos mais adiantados e os mais novos – o Mestre já não faz a saudação. Representa o respeito que é devido pelos mais novos aos anciãos – sempai.

Durante a saudação, o estado de alerta, zanshin, e de antecipação deve ser permanente para evitar um ataque de surpresa. Este estado tem a ver com a percepção paranormal desenvolvida pelas artes marciais tradicionais, pelo maior ou menor potencial de ki do praticante. Mas neste trabalho não desenvolveremos estes temas, pois são questões que agora não nos ocuparão.

Deve ter-se presente que as noções de sensei, sempai, ou principiante são relativas. Como regra deve reter-se que um praticante novo deve inclinar-se profundamente, ao que o sensei responderá com uma ligeira inclinação. Assim numa aula um shodan pode ser sensei e na aula seguinte, ministrada por um 5.º dan, em que todos os outros alunos têm graduações entre 2.º e 4.º dan, não passa e um principiante.

A maneira de efectuar a saudação tem vários entendimentos: um marcial, outro energético e outro simbólico.

Ilustremos o que se afirma com saudação praticada em seiza. A primeira mão a ser colocada no solo em frente do corpo é a mão esquerda. No plano marcial, em caso de ataque do adversário, a mão direita pode desembainhar uma arma ou executar um movimento defensivo, se não houver armas. Se baixasse as duas mãos ao mesmo tempo isso não aconteceria.

No plano energético, a mão esquerda está associada à energia negativa (ura) e a mão direita à energia positiva (omote). Aquela tem um efeito destrutivo, esta tem um efeito construtivo.

O descer da mão esquerda à terra é um gesto simbólico da recusa de fazer mal, em relação àquele que é saudado. Em simultâneo, o contacto da mão com o chão neutraliza a potencialidade energética desta mão destruidora.

Com a colocação das duas mãos no chão, estas formam um triângulo equilátero.

No plano marcial a finalidade é a de evitar um ferimento grave no nariz. Em caso de ataque à cabeça por parte de um adversário, o nariz está protegido e não será esmagado no chão.

A nível energético permite a circulação de energia em circuito fechado, possibilitando a concentração mental.

Este gesto simboliza a reunião de três lados: o homem, o céu e a terra. Também simboliza a junção entre tradição passiva e a tradição activa, em que o Mestre desempenha um papel fundamental: é ele que transmite o conhecimento que já anteriormente lhe tinha sido transmitido. É um circuito de transmissão do conhecimento.

O triângulo simboliza também a capacidade de defender, assim como também a de atacar.

A consciência do elevado valor energético e marcial da etiqueta e da cortesia deve estar sempre presente naqueles que seguem o Budō.

De Okinawa ao Japão

Por outro lado o surgimento da palavra "karaté-do" é indicador da influência da cultura Japonesa sobre o TÉ de Okinawa (Naha-té, Shuri-té e Tomari-té como centros principais). Este movimento dos Okinawenses quererem o Okinawa-té como um Budo, encerra, quanto a nós, uma riqueza operacional tão importante como a influência Chinesa.
Curiosamente TOKITSU na sua magnífica obra de 1994, evidencia a precocidade com que o Karaté se tornou um Budo, fazendo a apologia de que, ao contrário de outros Budo, o desenvolvimento do Karaté ainda não está suficientemente maduro.
TOKITSU (1994) coloca o Dr. Jigoro Kano (1860-1938) como personagem fundamental no desenvolvimento recente do Karaté. Em primeiro lugar, quando Gichin Funakoshi (1868-1957) é encarregado de ir a Kyoto fazer a apresentação do Karaté de Okinawa no âmbito de uma exposição nacional de educação física em 1921, está longe de pensar que não voltaria tão cedo a Okinawa; Jigoro Kano, que tinha funções importantes no ministério da educação, convida-o a fazer uma apresentação do Karaté no seu dojo de Judo em Tóquio: Kôdôkan (17 de Maio de 1921).
Segundo relatos de Shinkin Gima, originário de Okinawa e estudante universitário que participou nessa demonstração, após G. Funakoshi fazer a apresentação do Karaté de Okinawa e do itinerário de cada um deles, executou o Kata Kûshankû e, de seguida, Gima executou o Kata Naifanchi. Depois fizeram um exercício de combate convencional. No fim da demonstração Jigoro Kano disse a G. Funakoshi: "Penso que o karaté é uma arte marcial honrosa. Se a quiser difundir em Hondo [ilha central do Japão], conte com qualquer tipo de ajuda. Diga-me o que posso fazer por si". Pensa-se que foram estas palavras que encorajaram Funakoshi na divulgação do Karaté de Okinawa e que o fizeram decidir pela renuncia ao retorno a Okinawa (TOKITSU, 1994, pp. 61-64).
Mas a sua influência não se fica exclusivamente pelo Okinawense G. Funakoshi. Na sua primeira viagem a Okinawa em 1922, Jigoro Kano "faz um discurso sobre o budo japonês que provoca, nos adeptos de Okinawa, uma reflexão sobre a qualidade cultural da sua arte e a consciência da sua vocação" (TOKITSU, 1994, p.85). Em 1926, na sua segunda viagem a Okinawa, é preparada uma demonstração em sua honra e Chojun Miyagi (1888-1953) foi encarregado de a comentar. Miyagi desenvolve a partir daí uma atitude determinada em relação ao desenvolvimento do Karaté de Okinawa descrita num comentário referido a um dos seus discípulos (Niisato): "O Homem deve engrandecer o seu próprio ser pela prática do Budo, como o refere Mestre Kano. Quero tornar o Karaté digno de estar no nível do Budo pela sua qualidade [...]" (Ibidem).
Jigoro Kano chega a dizer a C. Miyagi e K. Mabuni (1889-1953): "Penso que do ponto de vista da educação física e moral, a arte de combate de Okinawa no futuro deverá ser desenvolvida em grande escala. Logo que obtenha um certo grau de difusão em Hondo (ilha principal do Japão), terá, naturalmente, uma hipótese de ser integrado no Butokukai. Gostaria que tivésseis em conta esta questão e que considerásseis a vossa arte do ponto de vista global do Japão" (Ibidem, p. 95).
Sendo membro da Câmara dos Pares, com responsabilidades no ministério da educação e tendo sido condecorado com a Ordem de Mérito que, instituída pelo governo Japonês, era uma das mais altas distinções do estado, Jigoro Kano tinha uma posição hierárquica bem superior à do mais alto dignitário de Okinawa. O seu interesse eclético pelo Karaté influenciou de forma marcante a direcção do seu desenvolvimento moderno que os Mestres de Okinawa passaram a protagonizar de forma coordenada. Houve, assim, uma influência "externa" que lançou um objectivo comum a todos eles: tornar a "arte de Okinawa" um Budo.
Fica-nos, deste modo, evidenciado o facto de o Karaté não ser um fenómeno isolado, mas sim um confluir de vários conhecimentos num determinado espaço-tempo.


Estratégias

Estratégia é a arte do guerreiro. De Musashi à Sun Tzu, parece que todos os antigos samurais, sem duvida, conheciam esta frase. Nos esportes de luta, em especial o Karate, devemos ter uma ou mais estratégias de luta. Não podemos lutar ao acaso, cada luta tem uma história diferente, cada adversário cabe um modo de lutar diferente. Não falo aqui que se deva mudar o estilo de luta ( pois o seu estilo de luta é sua marca registrada), mas sim o modo de enfrentar adversários deve ser moldado. Ao se deparar com um adversário grande se luta de uma forma, já um adversário pequeno é uma outra luta ( deve ser mudado a guarda, a distância, etc.)
No passado a estratégia era uma das Dez Habilidades de um Samurai. No Karate atual, muito aprendemos destes guerreiros, você deve estudar os cinco elementos básicos de que se compõe, segundo o Budismo, toda e qualquer atitude, ou ainda os ciclos por onde o espírito tenta alcançar a perfeição, começando pela terra até chegar à paz do nada, o vazio:

* Conheça as menores e as maiores, as mais superficiais e as mais profundas coisas dentro de uma luta ( tudo sobre o shiai kumite, quer seja coisas importantes como regra, tática, técnica ou coisas sem muita importância ) - TERRA
* A água adota a forma que melhor lhe convém, se precisa desviar por causa de uma rocha ou passar por um pequeno buraco e etc.; assim o karateca deve lutar se moldando aos adversários ( alguns adversários são bons de contra ataque, outros são exímios chutadores, outros não gostam de uma luta aberta – molde-se a eles.) Se você dominar os princípios da luta , quando derrotar um homem, estará derrotando todos os homens do universo. - ÁGUA
* O fogo é o espírito que você deve ter ao lutar – seja uma luta em um campeonato interno ou seja em um combate representando seu estado, seu país – o espírito do fogo é feroz, pode ser seu amigo ou inimigo, pode queimar ou aquecer. Você precisa entender que o espirito pode se tornar pequeno ou grande durante a luta – FOGO
* É difícil você conhecer a si próprio se não conhece os outros ( me refiro a outros modos e estilos de luta, sejam estilos de karatecas ou outros lutadores, suas experiências, suas vivências, em que acreditam, como treinam, procure tirar para você novos conhecimentos, não seja radical e treine de outras formas). – VENTO
* O kumite não tem princípio nem fim. Quando você conhece o ritmo do outro, estuda o caminho, é desapegado de sentimentos como raiva, ambição, ódio, petulância e outras qualidades que são prejudiciais ao lutador, quando a técnica faz parte de você, então neste momento será capaz de vencer naturalmente. – VAZIO

Para iniciar na estratégia :

Conheça as regras de combate e ética, as teorias, estilos, métodos defensivos e ofensivos de luta. Conheça seu espírito a fundo, seus pontos fortes e fracos, suas ambições e intenções. Estudes os adversários, observe-os, seus métodos e estilo de luta. Sun Tzu escreveu: “se você conhece o inimigo e conhece a si mesmo, não precisa temer o resultado de cem batalhas. Se você se conhece mas não conhece o inimigo, para cada vitória ganha sofrerá também uma derrota. Se você não conhece nem o inimigo nem a si mesmo, perderá todas as batalha”.
Trace um planejamento de treino, físico, técnico e espiritual e siga a risca com disciplina.

Controle do tempo na estratégia :

O controle do tempo no shiai kumite deve ser ganho através da pratica. O tempo é importante em tudo, na luta pode ser precioso. Você deve conhecer o regulamento, saber quanto tempo de luta resta, divida a luta mentalmente em 4 partes. De acordo com o adversário tenha em mente como lutar em cada parte da luta. Saiba lutar com o tempo esteja ganhado ou perdendo. Existem situações em que certos golpes não devem ser nem tentados ( faltam poucos segundos de luta, você está precisando de 3 pontos, neste caso só um chute jodan ou uma projeção, não adianta tentar um soco). Em algumas ocasiões você deve esfriar a luta, ganhar tempo, sem perder o espírito ou a atenção ( rode em torno do adversário, afaste-se, simule golpes, etc. Se precisar de tempo para correr atrás do placar, não se afobe, mecha com o adversário, o incomode, finte bastante, mas não perca tempo com situações que não provoquem o ponto. Trabalhe o golpe, use artimanhas que você sabe que pode dar certo, confie no seu treinamento e nunca se desespere. Alem do tempo do relógio, você deve conhecer o seu tempo, e sobretudo o tempo do adversário. Se nunca o viu lutando o observe nos momentos iniciais, analise friamente seus movimentos, seu ritmo, mecha com ele e nunca o deixe sentir a vontade. Treine muito até compreender o princípio do tempo e sua importância no Kumite.

O caminho da estratégia

* Não pense desonestamente (lute sempre dentro das regras, não use de artimanhas que o façam arrepender-se, jamais tente machucar o adversário propositadamente)
* O Caminho está no treinamento (treine sempre, pratique as técnicas preferidas mas não se esqueça de que existem outras além destas, mantenha controle sobre o seu corpo, não cometa excessos, cuide da parte física mas não esqueça a espiritual)
* Familiarize-se com todas as artes (meios de luta, formas de treinamento, outras artes que podem trazer benefícios ao seu Karate)
* Note aquelas coisas que não podem ser vistas (detalhes fazem um campeão)
* Preste atenção a tudo, mesmo aparentes baboseiras ( não releve nenhuma etapa do treinamento, não deixe passar nada, tudo é importante na preparação)
* Não faça nada que não tenha utilidade (não desperdice o seu tempo com atitudes ou situações sem finalidade, ao treinar ou lutar não utilize de golpes sem eficiência, sem funcionalidade, treine sempre imaginando o real, seus golpes devem ser sempre fortes e no alvo, não desperdice energia)
* Seja humilde, uma luta só existe dentro do quadrado, não comente nada sobre o seu adversário, não se vanglorie de resultados, se ganhar treine para ganhar de novo, se perder, treine mais ainda , observe os erros cometidos e aprenda com a derrota.

Estabeleça estes princípios no coração e utilize da estratégia. Se aprender a lutar desta forma obterá sucesso.

A importância espiritual na estratégia:

Tanto na luta como nas situações da vida mantenha-se calmo. Veja a situação sem ficar tenso, porém alerta. Mesmo que o espírito esteja calmo, não relaxe o corpo. Não deixe o corpo influenciar o espírito e vice versa. Na hora de lutar esforce-se para deixar de lado as preocupações do dia a dia, as chateações; concentre-se apenas na luta.
Durante a luta não se preocupe muito com o placar, não se desespere. Pense sempre de forma positiva, mantenha a calma, o tempo assim estará do seu lado
Evite extremos de alegria ou tristeza ao duelar, não deixe o adversário notar seu estado de espírito.

Posição em estratégia:

Adote uma posição de luta confortável. Os pés não podem estar em uma linha reta ( o que seria ótimo para o adversário aplicar o ashibarai), o pé de trás deve impulsionar o corpo e por este motivo não o deixe colado ao chão, se arrastando; os joelhos devem estar semi fletidos, utilize a guarda conforme o oponente, mas utilize o recurso de sempre mudá-la para confundi-lo; olhe sempre com uma visão periférica observe desde os pés até a cabeça do adversário.
Na vida diária mantenha a posição de combate mentalmente e evite ser surpreendido.

A força do olhar na estratégia:

O olhar deve ser abrangente e extenso. É importante não se distrair com movimentos insignificantes do inimigo.
Assim será capaz de derrotar o adversário apenas com o olhar - antes da luta finte os olhos do adversário firmemente, sem menosprezo ou auto confiança, apenas o observe friamente sem jamais tirar os olhos antes que ele. Ao cumprimentar não tire o inimigo da sua visão, ao apertar sua mão sempre esteja agradecendo por mais uma lição.
Veja naturalmente, na hora da luta tenha uma visão de tudo, não fixe os olhos em nada, mas ao mesmo tempo veja tudo, olhos, mãos, jogo de perna, tudo do oponente é importante ser analisado. Fixar o olhar significa observar o coração do homem.
Não fixe o olhar a detalhes (público, manifestações, poluição visual de qualquer tipo), não negligencie coisas importantes pois seu espírito será confuso e você perderá a oportunidade da vitória
Na estratégia a área a ser vista é a habilidade do inimigo. Percepção e vista são dois modos de ver. Percepção consiste em sentir o campo de luta, vendo o progresso e as mudanças de vantagem, é noção do que se passa e assim poder controlar a contenda. Ver é apenas realizar os movimentos básicos da visão. Ao lutar utilize da percepção.

Os ataques:

São dois: braço e perna. Qualquer que seja não pense neles, concentre-se apenas em atingir o adversário. A sua atitude deve ser nobre, isto é ; sem indecisão, medo ou hesitação. Seja confiante e lembre-se do esforço exigido nos treinos.
Treine todos os tipos de golpes, deixe seu corpo se acostumar. Não pense que determinados golpes não foram feitos para você. Treine todos. Ao se aproximar da competição, aí sim, faça a “peneira” e só treine o que você gosta e pretende usar.
O espírito de atacar primeiro é completamente diferente do espirito de ser atacado. Executar bem um ataque, com força, velocidade e precisão; e bloquear o ataque inimigo é como construir um monstro na cabeça do oponente. Quando você ataca o inimigo, seu espírito deve ser o de um guerreiro em uma batalha.

* Dependendo do lugar:

Examine o local que vai lutar. Seu piso, vantagens e desvantagens. Nunca lute com o rosto virado para o sol. Durante o combate force o inimigo para as laterais do quadrado, procure lutar sempre no meio. Force-o a lugares difíceis como o canto do cotô, quando este estiver em posição inconveniente procure cercá-lo.
Observe as condições do local, a temperatura. Atente-se ao material que deve levar consigo. Água, material de socorro, remédios, barras de cereais e chocolates, protetores, protetor de mão e faixas azul e vermelha (lute com o seu próprio material), leve sempre consigo dois kimonos. Dê importância a sua faixa, ela carrega toda a sua história, seu suor e sofrimento, sua alegria e suas vitórias.

Os três métodos de antecipar-se do inimigo:

O primeiro é antecipar-se atacando ( sen no sen ).Quando você decidir atacar, mantenha-se calmo e lance-se rapidamente contra o adversário, ataque com o sentimento de constante vitória ou êxito
O segundo é antecipar-se ao inimigo quando ele vai atacar ( go no sen – esperar pela iniciativa).Quando o inimigo atacar, não se perturbe e demonstre frieza, ao observar seu avanço você defende e ataca com mais velocidade e força ainda, aproveitando a precipitação dele.
O terceiro método é usado quando os dois atacam simultaneamente, com o inimigo tendo a iniciativa (sen no sen ou deai – acompanhar e antecipar o inimigo). Aproveite o tempo, observe o ritmo e o “timming” do adversário, veja através do seu espírito compreendendo sua estratégia.

Conduzir:

Na luta não é bom ser conduzido pelo adversário. Você é quem deve conduzir. Obviamente o inimigo também pensa assim, mas você deve ser mais obstinado. Mecha com ele, o incomode, mude a posição de sua guarda, troque a base, confunde-o. Ele não deve gostar de lutar com você. Lhe introduza o medo, seja vigoroso com seus golpes, porém honesto. Reprima as ações úteis do adversário, mas permita-lhes as ações inúteis, arruine seus planos e domine-o.

Conhecer o momento:

Durante a luta conheça o momento em que o adversário está passando. É forte ou fraco. Observe o espírito do adversário , você pode calcular a disposição dele para lutar, se com todos os brios ou se vai tremer de medo. Após avaliar, estude seus pontos fracos e fortes, seus momentos altos e baixos durante a luta.
Conhecer o momento significa que, se a sua habilidade for grande, você verá as coisas pelo prisma correto. Se estiver em harmonia com a estratégia, reconhecerá o momento e as intenções e terá muitas oportunidades de ganhar.

Colapso ou fraqueza do adversário:

Tudo pode desabar. Casas, pessoas e adversários desabam quando sua sustentação (espírito) são afetados.
Quando o adversário começa a desabar, você deve persegui-lo sem perder a chance. Se não aproveitar o colapso do inimigo, ele poderá se recuperar e não ser tão negligente da próxima vez. Fixe o olhar no colapso e ataque-o de maneira que ele não possa se restabelecer. O ataque deve ser consistente e impiedoso. Procure terminar a luta o mais rápido possível, não se exibindo com golpes de beleza, mas pontuando o necessário e aproveitando o colapso.

Imaginar-se na posição do inimigo:

Se pensar que o inimigo está com medo, recuando, na defensiva de forma abusiva; desta forma você ficará mais forte. Pense sempre que ele está na pior...mas cuidado, jamais o menospreze.

Sem ver o espírito do adversário:

Ao lutar e não conseguir ver a estratégia do inimigo, tente recursos, finte, ameace e observe suas reações, indique que está prestes a atacar para descobrir os recursos dele. Abra brechas na sua guarda, o instigue a atacá-lo. Quando vê os recursos do inimigo, é fácil derrotá-lo usando um método diferente.
Se o adversário assumir uma atitude de modo que você não percebe a intenção dele, faça um ataque simulado e o inimigo lhe mostrará sua intenção. Aproveitando aquilo que vê, você pode vencer com segurança

Vendo o espírito do adversário:

É quando você pode ver claramente a estratégia de luta do seu adversário.
Se ele gosta de atacar o confunda, ora esperando seus ataques, bloqueando e contra atacando, ora usando o deai ou as vezes o atacando e fazendo que ele se defenda, fazendo o que ele não gosta.
Se ele prefere lutar na defensiva, finte e ameace bastante, golpeie com força e destrua sua confiança defensiva, você pode também força-lo a atacar, basta esperar e manter uma distância grande.

Contágio:

Não se contagie. Quando o inimigo está agitado e com pressa, não se incomode. Demostre calma, e ele será contagiado, relaxando a guarda e a atenção. Quando você notar o contágio, ataque com força e velocidade.
Você também pode contaminar um inimigo demonstrando um espírito despreocupado, descuidado ou fraco.

Causar surpresa:

Ataque sem avisar, quando o inimigo não espera, chute quando ele espera soco e vice versa. Utilize golpes que ele nunca espera de você e quando ele estiver com o espírito indeciso aproveite a vantagem e derrote-o sem lhe dar espaço para respirar e recuperar-se

Assustar:

O medo pode ser um grande aliado e ocorre diante do inesperado. Você pode assustar o adversário desde o seu aquecimento ( se ele o estiver lhe observando, sua disciplina e concentração o farão parecer um obstinado a vencer – aqueça-se como se estivesse lutando com vigor e espírito forte). Seu Kiai deve ser poderoso, não em altura de som, mas em conteúdo. Sua expressão facial deve demonstrar um guerreiro pronto para a batalha. O olhar compenetrante, ao se cruzarem jamais desvie o olhar. Tudo isso assusta muito. Você deve usar a vantagem de pegar o inimigo com medo

Ganhar aos pedaços:

É fácil vencer quando o inimigo está caindo. Se o processo dele está enfraquecendo vá ganhando aos poucos. Aplique um chute no rosto ou uma projeção, desequilibre-o, golpeio-o com extrema força e vá minando-o psicologicamente.

Causar confusão:

Faça o inimigo ficar confuso. Podemos força-lo a pensar : aqui?, ali?, desse jeito?, daquele jeito?, devagar, rápido?, etc. A vitória é certa quando o adversário for pego em ritmo que lhe confunda o espírito.
Podemos confundir o adversário atacando com diversas técnicas, simulando jogo defensivo ou ofensivo, fazendo-o pensar o errado, e quando estiver confuso, a vitória estará perto.

O Kiai:

É uma expressão de força, um grito que é feito em uma expiração muito forte, o abdome é contraído, sendo usado para aumentar a potência do golpe, assustar o adversário, como um grito de guerra ou como um modo para superar a si mesmo.
O kiai pode ser antes, durante e depois. Grite conforme a situação. A voz mostra sua energia.
No inicio da luta podemos gritar e chamar energia, zanchin. Durante grite no momento que ataca e se torne mais forte e concentrado. Depois da contenda, damos o grito da vitória.
O kiai pode ser uma finta, pode ser usado para assustar e é usado par entrar no ritmo.

Esmagar:

Quando observar que o adversário possui o espírito fraco e desorientado, não lhe permita chances, esmague-o . Se for menos habilidoso que você, se o ritmo dele for desorganizado ou sua posição recuada demais, se demonstra medo, não lhe dê tempo para respirar. Isso é essencial. O principal aqui é não deixar ele começar a gostar da luta e recuperar a auto-estima.

Repetir erradamente:

Não é bom repetir a mesma coisa várias vezes em uma mesma luta. As vezes repetir uma técnica é inevitável, mas não abuse. Se fizer um ataque e falhar tenha cuidado, o adversário saberá o que você vai fazer na próxima tentativa. Mude radicalmente o jogo, tente outras fintas e técnicas.

Penetrar as profundezas:

Podemos destruir o espírito do adversário desmoralizando-o completamente com golpes também desmoralizantes. Isto significa golpear o corpo e a alma. Quando tivermos esmagado o espírito do inimigo nas profundezas não haverá maiores preocupações.

O comandante:

Pense no inimigo como se ele fosse um soldado do seu exército, assim poderá conduzi-lo e persegui-lo. Você se torna o general e o inimigo é a tropa.

Força:

Se você pensar na força do adversário tentará golpear com mais força e não conseguirá nada. Sempre que for lutar não pense coisas deste tipo, pense simplesmente em golpear com eficiência absoluta. Concentre-se em atacar o alvo sem erros. Não tente golpear com força e, claro, nem pense em desferir um golpe fraco.
A mão forte vence não tem sentido. Vença através da sabedoria da estratégia.

Perseguir:

O caminho da estratégia é perseguir o adversário de um modo confuso, obrigando-o a se desviar, recuar e avançar sem vontade própria. A essência é lançar-se sobre o inimigo e forçar a queda de sua estratégia. Muitos retrocedem, só contra-atacam ou usam do deai, quem luta somente assim, acaba dominado e acha que isto é absolutamente normal, se viciam neste jogo. Você deve perseguir o adversário e forçá-lo a obedecer o seu espírito.

Atitudes:

Você deve assumir o comando da luta e atacar. Você deve manipular a atitude do oponente. Ataque quando ele estiver relaxado, confundindo, irritando e atemorizando . Aproveite a vantagem confusa do adversário e vencerá facilmente.
Na luta, seja ciente do seu poder ofensivo e defensivo, observe o inimigo, note o campo onde se travará o duelo. Tenha uma atitude observadora.

Jogo de perna:

Jamais perca o controle de seus pés. Mova-se com velocidade ou de forma lenta, imponha o ritmo a luta. Não se contagie pelo modo como o adversário se move

Ritmo:

Os grandes lutadores não são lentos, mas não demonstram pressa. Quando o adversário se apressar, você deve agir de forma exatamente contrária, permanecendo calmo. Se ele estiver muito calmo e relaxado, procure incomodá-lo com um jogo mais rápido. Não se influencie pelo inimigo.

Cinco fatores :

A arte da guerra é governada por cinco fatores: a lei moral, o céu, a terra, o chefe, e; o método e a disciplina.
A lei moral: faz com que o público, árbitro e demais atletas, inclusive seus adversários, o achem justo e honesto, íntegro e bom lutador, respeitador e bom entendedor das regras e éticas do shiai kumite – isto vai lhe dar moral, vai ser respeitado e admirado, desta forma todos estarão do seu lado, torcendo por você.
O céu significa a noite e o dia, o frio e o calor, o tempo e as estações ( você deve estar sempre, em qualquer tempo, preocupado em progredir, no frio ou no calor, na noite ou no dia, etc.)
A terra compreende as distâncias, grandes e pequenas, perigo e segurança, as oportunidades de vitória ou derrota
O chefe representa as virtudes da sabedoria, sinceridade e coragem
Método e disciplina representam a sua autopreparação.

Cálculos :

O lutador que vence, fez muitos cálculos no seus treinos antes do combate. O lutador que perde uma luta, fez poucos cálculos antes. Portanto fazer muitos cálculos leva a vitória, poucos leva a derrota.
Portanto estude e calcule tudo antes do combate. O estilo dos seus adversários, o local de combate (se é piso ou tatame, se é escorregadio ou áspero, posição do sol, etc.), os árbitros que estarão atuando, as reações do público. Visualize-se chegando no local de competição, colocando o kimono e o material, sua chegada a área de luta, suas ações, situações que possam ocorrer durante as lutas e sua comemoração, tudo sempre de forma positiva.

Lutar sem lutar:

Lutar e vencer em todas as batalhas não é a glória suprema; a glória suprema consiste em quebrar a resistência do inimigo sem lutar. Faça-o lhe respeitar, lhe admirar através de seus atos, técnicas, táticas, estratégias e acima de tudo sua humildade. Quando o adversário lhe admirar desta forma, irá lhe enfrentar como se estivesse diante de um lutador muito superior, desta forma já entrará derrotado e você vencerá sem lutar.

Cinco fundamentos para a vitória:

Será vencedor quem souber quando lutar e quando não lutar.
Será vencedor quem souber manobrar as forças superiores e inferiores.
Será vencedor aquele que estiver forte de espírito.
Será vencedor quem estiver autopreparado, esperando para surpreender o inimigo despreparado.
Será vencedor quem tiver capacidade estratégica e tática, tendo técnica lapidada através de árduo treinamento.

Garantias:

Os bons guerreiros de antigamente primeiramente se colocavam fora da possibilidade de derrota e depois esperavam a oportunidade de derrotar o inimigo.
A garantia de não sermos derrotados está em nossas próprias mãos, porém a possibilidade de derrotar o inimigo é fornecida pelo próprio inimigo
A garantia contra a derrota implica em táticas defensivas, a capacidade de derrotar o inimigo significa tomar a ofensiva. Manter-se na defensiva abusivamente indica força insuficiente, atacar em abundância indica falta de cuidado, por isso seja sempre moderado.

Não cometa erros:

O que os antigos chamavam de guerreiro inteligente era alguém que não apenas vencia mas que se sobressaia vencendo com facilidade.
O guerreiro vence os combates não cometendo erros. Não cometer erros é o que dá a certeza da vitória, pois significa conquistar um inimigo já derrotado. Por isso o guerreiro hábil coloca-se em uma posição que torna a derrota impossível e não perde a oportunidade de aniquilar o inimigo

Impor vontade:

Quem estiver primeiro no campo de batalha e esperar o inimigo estará descansado para o combate, quem vier depois e tiver de apressar-se, chegará exausto. Dessa forma o guerreiro inteligente impõe sua vontade ao inimigo.
Se o inimigo estiver descansando, fustigue-o, se acampado silenciosamente, force-o a mover-se.
Force-o a revelar-se, de forma a exibir seus pontos vulneráveis.
Você poderá ter certeza dos sucessos dos seus ataques se executa-los em lugares não defendidos. Poderá ter certeza de suas defesas se mantiver posições que não possam ser atacadas. Assim sendo , os lugares a serem atacados são exatamente os que o inimigo não pode defender.

Adversário preocupado:

Deixe seu inimigo muito preocupado com seus ataques. Para ele fortalecer sua vanguarda, enfraquecerá a retaguarda; fortalecendo a altura jodan , enfraquecerá a chudan, fortalecendo a esquerda, enfraquecerá a direita e o inverso.

Natureza:

Na luta pratique a dissimulação e terá sucesso. Mova-se com intenção e não ao acaso. Deixe que a sua rapidez seja como o vento, sua solidez como uma montanha. Ao atacar seja como o fogo
Deixe seus planos ficarem secretos e impenetráveis como a noite e, quando atacar, seja como um relâmpago.
Pondere e delibere antes de fazer um movimento. Vencerá quem tiver aprendido a arte do desvio. Essa é a arte de manobrar

Inimigo desesperado:

Quando cercar um inimigo, deixe uma brecha de saída. Isso não significa deixa-lo fugir. O objetivo é faze-lo acreditar que é um caminho para a sua segurança, evitando que lute com a coragem do desespero.
Pois não se deve lutar e pressionar demais um inimigo desesperado.

Cinco erros:

A arte da guerra nos ensina a não confiar na probalidade do inimigo não vir, mas na nossa presteza em recebe-lo; não na chance dele atacar, mas em vez disso, no fato de tornarmos nossa posição invulnerável.
Há cinco erros perigosos que podem afetar um lutador; os dois primeiros são: negligencia, que leva a destruição; e covardia que leva a captura.
Depois são; a falta de treinamento (imperfeito ou sem planejamento), que é sensível à vergonha e, um temperamento prepotente, que leva ao descaso.
O último desses erros é o excesso de confiança e menosprezo ao adversário, que gera, por fim, a derrota total.
Esses são os cinco erros aparecem na derrota, pelo menos algum deles estará presente. Que seja objeto de estudo.

Precaução:

Quem não for precavido e fizer pouco do adversário, certamente conhecerá a derrota.

Sinais:

Quando o inimigo estiver ao alcance da sua mão e permanecer imóvel, está confiando na solidez natural da sua posição (talvez esperando para o deai). Quando ficar afastado e tentar provocar um combate, estará ansioso para que o adversário avance. O aumento de preparativo são sinais que o inimigo está para avançar (portanto cuidado quando o adversário começar a trabalhar o golpe, observe a mudança do jogo de perna). Muitas ameaças são sinais que ele quer que você ataque.
Quando o adversário se curva durante o intervalo, está cansado ou sentindo seus golpes. Se bebe água em abundância, seu espírito também está pedindo água. Se solta kiais a todo o momento, pode estar com receio, pois grita apenas para recuperar a coragem. Se há confusão na comunicação dele com o técnico, mostra desavenças e falta de entrosamento. Se irrita-se com os árbitros ou público, demonstra desequilíbrio.
Quando não aceita o atendimento médico, é claro que está disposto a lutar até a morte. Quando abaixa a cabeça e confirma os seus golpes como se estivesse aprovando e parabenizando pelos seus ataques, demonstra humildade e respeito por você. Observe os sinais.

Não deseje fama:

O lutador que avança sem desejar fama e recua sem temer o descrédito, cujo o único pensamento é vencer fazendo uma boa luta, é um verdadeiro guerreiro.

Velocidade:

A rapidez é a essência da arte da guerra. Tire proveito da falta de preparação do inimigo, ataque por caminhos onde não seja esperado acertando alvos desprotegidos.
Para o bom lutador, a o domínio da velocidade deve ser primordial, pois assim ele jamais perderá oportunidades.
Ataque como o trovão, que é ouvido antes que se tenha tempo de tapar o ouvido.

Dicas:

Ganhe a luta antes de entrar no koto (área de competição)
Olhe o adversário dentro de sua alma, mas sem menospreza-lo.
Cresça na frente do oponente (como o gato faz na frente do cachorro)
Ao adentrar no koto e começar a luta só de atenção ao sinal de hajime (começar) e yame (parar).
Após o yame volte a sua posição sempre em zanchin (espírito alerta), relaxando o corpo, mas, nunca o espírito.
Lute sem ódio e também sem paixão, pois qualquer destes sentimentos comprometerá sua luta.
Lute sempre para vencer, não esteja preocupado com as pessoas, lute só para você e Deus. Após a luta ofereça às pessoas.
Combata sem revanchismo, pois você pode lutar mil vezes contra o mesmo adversário e serão mil lutas diferentes.
Dê o melhor de si, independente do resultado, você tem que sair com a sensação de que seu dever foi cumprido.
Após a luta encare seu ex-adversário como um amigo conquistado e não como um derrotado.

Tipos de lutadores:

Existem somente três tipos de lutadores: emocional (luta com os sentimentos, sensível, com o coração), corporal (expressa-se durante o combate com os movimentos, gestos, corpo) e o cerebral (luta sempre com o pensamento, inteligência, cérebro). Você com certeza é um destes lutadores. É importante descobrir que tipo você é, e com este dado elaborar um treinamento próprio.

Lutador cerebral:

Forte inclinação a passividade, trabalha muito bem a parte defensiva. Controla a área de luta com perfeição, considera sua, arma armadilhas e quase sempre espera momentos favoráveis para si.
Possui um grande domínio da distância longa. Prefere esperar e segurar resultados a se arriscar. Não se preocupa com o tempo. Se guia pela razão e não pela emoção. Não luta para o público, luta para si ou para a equipe, é um lutador de resultado. Não lhe interessa ganhar por 1 ou por 8 pontos de diferença.
Entendemos o lutador cerebral como aquele que não enfrenta abertamente o seu adversário, espera pelo erro e dá o bote. Contrariamente ao que se pode pensar, sabe atacar com determinação, força e precisão quando necessário.
Possui um ótimo sentido de oportunismo. Gosta de lutar em círculo, evitando golpes diretos e defendendo com esquivas, utiliza muito do contra ataque (responde a todas as ações do adversário e seleciona o momento certo de golpear) e da antecipação (utilizando-se de sua excepcional capacidade de antever de forma lógica as reações do oponente).

Lutador emocional:

São claramente ofensivos, gostam de trabalhar intimidando, invadindo o campo do adversário e forçando ao combate aberto.
Buscam o corpo a corpo, distância curta, e tentam acabar o combate de forma rápida. São impulsivos e tentam impor um ritmo fortíssimo a sua luta, utiliza o coração e não dá espaço a razão.
Suas técnicas são muito fortes e vigorosas. São muito sensíveis e intuitivos. Par lutar bem, precisa sentir a luta em toda a sua intensidade. Recebe muitos golpes, pois luta de peito aberto, sempre procura o combate
Lutam em linha, com técnicas rápidas, diretas e simples. Possui um amplo repertório de técnicas ofensivas. Gosta de enfrentar o adversário impondo pressão.

Lutador corporal:

Grupo de lutadores, com intenso domínio de técnicas, polivalentes e se movem com grande soltura, e combatem em qualquer situação.
Gostam de lutar no centro. Sua distância preferida é a média, mas são capazes de lutar em qualquer outra.
Luta de forma bonita, recebendo o aplauso do publico, envolve o adversário com o seu movimento e técnica perfeita. É reconhecido como um grande lutador, não por impor força ou lutar por resultados par ser campeão, mas por suas lutas de beleza incomparáveis.

Fases do golpe:

Todos os golpes, sem exceção, devem passar por estas fases:
Preparação (é a forma de chegar ao adversário, fintar, trabalhar o golpe para poder chegar no adversário)
Execução: arrancada (velocidade, explosão) , aproximação (chegar sem deixar o adversário se preparar), impacto (contato com o alvo) e retração (puxada do golpe)
Volta a base (retornar a postura)
Nova preparação (iniciar tudo outra vez).
Jamais lute sem estudar estas fases, são essenciais para que seus golpes surtam o efeito desejado.

Elementos:

Esses são os elementos que você precisa saber ao lutar:
Físicos : posições (é a forma de lutar de cada um - lateral, frontal, base aberta ou fechada), guardas (alta, média, baixa, fechada, aberta, invertida, destra ou canhota), distâncias (curta, média e longa), planos pontuáveis (locais de pontuação) e; técnicas de braço, perna e de defesa.
Cognitivos : atitudes (sua forma de reagir a situações durante o combate), versatilidade (forma de possuir maneiras de respostas diferentes, mudança de jogo), atividade, passividade, determinação (você deve estar determinado como um soldado durante o combate)
Sensitivos : realidades (como você está na hora das luta, seu estado de espírito), impulsos (ofensivo ou defensivo), energia (positiva ou negativa)
Fatores de rendimento físico : resistência, força, potência, velocidade, flexibilidade, elasticidade, tonicidade, equilíbrio, lateralidade, esquema corporal, praxia fina e global, noções de espaço e tempo.
Estruturas psicológicas : caráter, maturidade, inteligência, memória, concentração, adaptação, autocontrole
Fundamentos pessoais : motivação, emoções, estado de ânimo, medo e sensibilidade.
Procure estudar e compreender estes elementos. Sua vitória dependerá de como estejam.

Os 15 Defeitos :

Os ítens a seguir levam fatalmente alguns guerreiros a derrota (Sun Bin – sucessor de Sun Tzu):
Se consideram incapazes, são arrogantes, ambiciosos, gananciosos, impulsivos, lentos, falta-lhes bravura, são fracos, falta-lhes confiança e firmeza, são relaxados, preguiçosos, perversos, egocêntricos e indisciplinados.

Atitudes em relação ao treinamento:

O karate antes de tudo é uma arte marcial, desta forma pratique com a máxima seriedade. Em cada passo, em cada técnica imagine um adversário que empunha uma espada. Cada golpe deve ser dado pensando nisto, você deve estar preparado para destruir seu oponente com um único golpe. Acredite que se você falhar, pagará com sua própria vida. Pensando nisso seu espírito será de concentração e energia. Você descobrirá que o treinamento com o tempo irá beneficiar não só sua técnica mas outros aspectos de sua vida.
Você não deve treinar por meios de palavras, treine com o corpo. Suporte a dor e a aflição enquanto se esforça para se disciplinar e polir seu espírito e corpo.
Não queira saber tudo de uma vez. Pratique uma técnica nova com afinco. O karate tem muitas técnicas, o tempo lhe mostrará quando aprender outra. Escute seu mestre, não tente passar adiante se não compreendeu o presente.
Nunca tente se exibir. Quebrar telhas ou possuir nós nos dedos não são provas de um grande mestre de karate. Lembre-se da humildade.
Seja sempre cortês, respeitoso e tenha boas maneiras. Mantenha-se longe dos vícios como bebida, drogas, jogo e fumo. A cortesia não deve limitar-se apenas ao dojo. Em casa, na escola, no trabalho ou em qualquer outro lugar não devemos agir contrariamente às palavras dos superiores.
Ignore o que não é bom e adote o que é bom. Ao observar a prática dos outros, ao descobrir alguma coisa que deve aprender, procure dominar isso sem hesitação. Se você vir um homem se entregar ao ócio ou ao vício, examine a si mesmo com atenção: é bom ou ruim? Quando vê uma pessoa chutar bem, pergunte-se por que o chute dele é tão bom, como chutar desta forma; em que o chute dele é diferente do seu.
Por último pense na vida de cada dia como um treinamento de karate. Não limite seu karate ao dojo. O espírito desta arte marcial se aplicam aos aspectos da nossa vida diária. O esforço nos treinos, o suor sofrido e a dor sentida; tudo pode ser útil em casa, escola ou no seu trabalho. Seu corpo e espírito forjado nos socos, defesas e chutes da prática intensa não será derrotado às provações da vida. Quem se fortalece através de lutas e combates intensos não deverá encontrar dificuldades em enfrentar nenhum desafio. Alguém que suportou anos a fio o sofrimento físico e mental para aprender uma técnica, deve ter condições de encarar e vencer qualquer tarefa e executá-la sem medo.

O Treinamento :

Este é um exemplo, é como eu planejo o meu treinamento, que talvez possa servir de base para você montar o seu.
Treine a parte física - musculação, treinos com atividades aeróbicas (bicicleta, corrida progressiva até atingir os 30 minutos, esteira, piscina – 1.500 metros, corda, etc.) e treinos de atividades anaeróbicas (tiros de velocidade com 25 a 50 metros).
No inicio da ano treine mais a parte aeróbica, a partir de março de ênfase a parte anaeróbica. A musculação deve ser praticada por todo o ano (cuidado com o excesso de peso).
Pratique uma luta de chão, para um maior “gás”, além de lhe favorecer em garra, força e espírito (você deve praticar duas vezes por semana e suspender na semana que antecede a competição).
Não misture o treino físico com o técnico, ou correrá o risco de não realizar nenhum dos dois de forma correta. Procure treinar a parte física em um turno (manhã cedo), e a parte técnica em outro turno (no final da tarde ou de noite).
Procure saber o horário em que vai lutar na competição (exemplo: 3 horas da tarde) e então treine no mesmo período e deixe o seu corpo acostumado com o mesmo horário em que irá competir.
Treine em pisos diferentes, a areia fofa vai lhe dar maior explosão, um chão escorregadio vai lhe dar maior estabilidade, na piscina ou na praia força muscular, chão molhado e liso vai lhe fazer treinar movimentação. Dificulte seu treino, puxe mais de você mesmo.
Leve em consideração o treinamento espiritual, descubra a sua própria forma de achar o equilíbrio de sua alma. Pratique acima de tudo ao pensamento positivo.

Exemplo de preparação :

O treino técnico deve ser assim: no inicio da temporada (janeiro) treine apenas kihon e kata, tendo em vista a visualização dos adversários, correção de posturas, espírito e poder de concentração.
A segunda etapa (fevereiro) corresponde ao treinamento de força – treino no saco, makiwara, raquetes, escudos , aparadores e lutas com protetores (tipo jiu kumite, sem preocupação com técnicas ou táticas – treine de forma mais “grossa” e “bruta”).
A terceira etapa (a partir de março) é o treino específico para o shiai kumite – treine todos os golpes (chutes, socos, uchis, projeções, seqüências), alvo, sparring e simulações de luta. Estude os esquemas ofensivos e defensivos (defesa e contra ataque, deai, antecipação). Analise e treine os estilos de luta. Sempre pratique os exercícios no mínimo por três minutos, sem pausa (isso vai lhe condicionar a estar bem na luta- só que na competição são três minutos com pausas, você estará bem acima do condicionamento do adversário).
Treine no mínimo três vezes por semana a parte física e também a parte técnica. Nunca menos que isso.
É interessante você ter uma conversa com um nutricionista – a sua alimentação faz parte do treinamento. Da mesma forma procure um psicólogo e converse abertamente sobre seus planos, ambições, medos e vontades no que se refere as competições. Tenha um bom médico para fazer seu acompanhamento, deixe-o a par de todas as suas medicações.
Ao se aproximar de uma competição treine os golpes que mais gosta (duas semanas antes), fazendo a “peneira”, treine praticamente alvo.
Jamais treine na véspera ou no dia de uma competição. Além do risco de se machucar, você deve guardar todas as energias para o momento da luta. Descanse nestes momentos, reflita sobre o treinamento, pense de forma positiva e se imagine em todos os momentos, desde quando chegar ao ginásio até a subida no pódio e a comemoração com os amigos.
Após uma competição, descanse um dia. Após este dia, faça um treino leve, só com alongamentos ou um relax na piscina. Se tiver suas lutas filmadas, procure assistir atentamente, observe seus erros e acertos, se auto avalie.
Lembre-se que o descanso faz parte do treinamento. Cuidado para não ficar estressado de tanto treinar. Se sentir isso, pare um pouco, tire um ou dois dias para refletir. Nunca treine mais que 5 ou 6 dias por semana.
Mude seus treinos, faça variações. Treine na água, na praia, com música, com pesos, com elástico, etc.
Nunca esqueça : você é o seu treino!

Guarda (kamae te):

Se o adversário está com a guarda alta, ele está guardando a altura jodan, mas desguarnecendo a altura chudan, cuidado, ele pode estar deixando livre embaixo para você atacar e então ele vai contra golpear.
Guarda aberta – ele está se mostrando relaxado para você golpear, com certeza está esperando para contra atacar.
Guarda muito baixa (gedan) – está chamando sua atenção para então lhe atacar. Da mesma forma se ele estiver com a guarda invertida.
Guarda muito recuada (braços próximos demais do corpo) – demonstra falta de maturidade do adversário, ou medo.
Guarda muito avançada (braços longe do corpo) – está tentando chegar próximo de você sem demonstrar. Cuidado com o ataque com o braço da frente. Ele vai estar na mesma distância, mas o braço dele estará mais próximo.
Cuidado com os lutadores canhotos. Geralmente lutam com as duas guardas (direita e esquerda na frente).
Não se atente muito para os movimentos que o inimigo estará fazendo com as mãos para lhe chamar a atenção .
Utilize sua guarda como se fossem espadas para atacar e escudos para se defender.

Distâncias:

Existem três tipos de distâncias no shiai kumite – curta, média e longa.
A curta é utilizada quando se quer fazer pressão, forçar o adversário a lutar abertamente, a atacar ou ser atacado. Cuidado para não fazer pressão e acabar sendo golpeado, por isso pressione e fique atento a reação do adversário. Bom proveito se utilizada com inimigo receoso. Com adversário calmo, que não se incomoda com a movimentação, demonstrando segurança e com firmeza, neste caso não deve ser aplicada.
A média é a distância mais segura pois tanto lhe trará chances de defesa como de ataque. Utilize para estudar o adversário no inicio da luta.
A longa, é utilizada como grande recurso defensivo. Usada para segurar resultado, para evitar o ataque inimigo. Seu ponto fraco é ser inútil para atacar. Cuidado para não abusar, use-a para confundir o adversário, deixe-o pensar que você está evitando o combate, para então surpreende-lo com um ataque devastador.
A distância deve ser pesquisada para atingir a vitória.

Bases:

Se o adversário estiver com a base errada: um pé atrás do outro – utilize o ashi barai por fora com a sua perna de trás, desequilibrando. Base muito aberta – o ashi barai deve vir por dentro com a sua perna da frente.
Mantenha sua base confortável, deve lhe dar potência no arranque tanto para atacar como para recuar. Não fique aberto ou fechado de mais. Os joelhos devem estar semi fletidos.

Chutes:

Treine todos os tipos. Na fase de peneira treine os que mais gosta.
Para potência utilize o saco de pancadas. Para treinar a velocidade pratique na raquete.
Aprenda a fintar quando for chutar jodan. Se vai chutar mawashi do lado direito, finte uramawashi no lado esquerdo (com a mesma perna) e o inverso. Se vai chutar uramawashi, finte o mawashi. Confunda seu adversário, nunca deixe saber aonde vai chutar.
O maegueri é um chute fortíssimo. Mas cuidado, ele oferece demais o perigo do contra ataque. Utilize-o se o inimigo oferece uma brecha muito grande em sua guarda, ou se for lento demais.
O shiro gueri e o shiro mawashi gueri devem ser praticados, mas escolha os adversários em que poderá usá-los. Necessitam de extrema velocidade e precisão. Se tentar uma vez na luta e errar, não repita ou correrá o risco de ser golpeado nas costas.
O yoko gueri, deve ser utilizado como um “chutão”, geralmente com a perna da frente, quando o adversário estiver próximo a linha lateral para forçá-lo a sair da área.
O fumikomi ou “pisão”, deve ser utilizado apenas quando o inimigo estiver no chão após você ter derrubado-o.
No shiai kumite jamais utilize: mikazuki gueri, tobi gueri e outros chutes do karate arte.
Mesmo que você seja muito bom de braço, nunca deixe de treinar os chutes. Lembre-se que a pontuação (2 ou 3 pontos) é importante, além disso você deve estar condicionado a utilizar este recurso quando precisar.

Golpes de Braço:

Todos os karatecas usam e abusam dos golpes de braço. O guiaku zuki é o principal deles. Muito utilizado tanto como ataque e principalmente como contra ataque, quase sempre na altura chudan. Para atacar procure trabalhar bem o golpe, finte e ameace bastante. Ao golpear utilize o quadril e o ombro para penetrar bem. Cai bem em qualquer tipo de adversário.
O kizame zuki deve ser utilizado principalmente na altura jodan. Ë um golpe para surpreender o adversário.
O uraken deve ser utilizado com o braço da frente, especialmente se o adversário estiver com a guarda baixa. Sempre jodan.
O sufocante deve ser praticado sempre. É um dos golpes que mais utilizo. O braço deve chegar antes do que o corpo. Jogue os braços e deixe o adversário confuso. Você pode tanto bater com a mão da frente ou a de trás. Espane, saia abafando, jogue seus braços na guarda do adversário, encurte a distância, grude e ao se aproximar atinja o inimigo.
Utilize das sequências.
Seus braços devem ser como espadas.

Defesas:

É natural termos um braço e uma mão dominante. Mas as defesas fogem a regra. Aprenda a defender com as duas mãos. Se uma falhar a outra deve entrar em ação.
Ao defender-se mantenha a calma, nada pode lhe abalar, jamais demonstre que sentiu o golpe do adversário.
Seus músculos abdominais devem estar sempre bem trabalhados, isso vai ajudá-lo a assimilar melhor os golpes sem sentir. Lembre-se que toda dor vem do desejo de não sentir dor. Portanto, não tema nada ao se defender; imagine-se protegido como se estivesse portando um escudo impenetrável, você deve ser uma fortaleza.
A mão que está na frente deve ser a mais utilizada, mas nunca esqueça a de trás. Defenda sempre para baixo ou para os lados, se você defender para cima corre o risco de levar o golpe do adversário para o seu rosto.
Cuidado para não defender sempre em linha, somente recuando. Quebre a linha de ação do inimigo, desvie sua rota e quebre a direção indo para a esquerda ou direita ao recuar. Isso vai por si só acabar a sequencia do adversário.

Honra:

Os antigos samurais tinham o seu código de honra, o lutador de hoje deve ser consciente do que isto significa:
Se o adversário for fraco ou inexperiente, nunca humilhe por capricho ou apenas para aparecer. Isto é covardia.
Se for de idade avançada, mesmo que seja fácil derrota-lo, respeite sempre.
Se ele estiver sentindo dor, não tente machucá-lo mais ainda, isto é perversidade.
Jamais tente machucar um adversário de propósito, seja para inutiliza-lo ou para se vingar de algum golpe tomado. Isto demonstra fraqueza de espírito.
Quando o adversário estiver de costas ou no chão, trate de controlar seus golpes, isto é consideração.
Nunca espere ser beneficiado pela arbitragem, não procure ser “colega” dos árbitros, isto seria deslealdade.
Golpes baixos como arranhões, tapas e mordidas, levam a vergonha. Utilize golpes com o dedo (nukite) apenas em forma de defesa pessoal, assim como golpes na altura do pescoço ou testículo, pois usados no kumite também significam vexame.
Se tiver que usar o karate na vida real use apenas na forma de pensar e agir. Se não for possível e se ver em situação que tenha que utilizar, procure não machucar. Se for impossível não machucar, não aleije. Lembre-se por toda a vida: os punhos não são para matar, mas sim para proteger a vida.
Só utilize o karate para o bem, jamais para fins maléficos. Isto é ser fiel a sua arte marcial escolhida.
Não desista quando as dificuldades aparecerem, esforce-se para possuir um bom caráter, respeite tudo e todos na hora da luta, contenha seu espírito de agressão e mantenha-se fiel aos seus princípios, isto é seguir o dojo kun.
Lembre-se sempre de manter o seu nome limpo, assim será lembrado como um lutador “limpo” e honesto, digno de ser um samurai. A honra é a alma do guerreiro.

Tópicos

* Cuide da sua faixa e do seu kimono, guarde sua faixas anteriores (são recordações de seu esforço), seu kimono deve estar sempre limpo.
* O kimono é branco porque representa a paz, a faixa preta é a ultima e em contraste com o branco representa o yang e o ying.
* A faixa representa o seu grau de conhecimento, vai ficando escura, sai da branca e chega até a preta. Ao chegar na preta a faixa vai envelhecendo e com isso passa a desbotar a ficar branca, e o ciclo se fecha, começa na branca e termina na “branca”.
* Estude o Karate, suas origens, seus princípios filosóficos e especialmente seu lema.
* Nunca treine o Karate com a intenção de utilizar para finalidades maléficas.
* Respeite o seu mestre, tenha o agradecimento sempre em mente.
* A competição é uma fase, aproveite bem, mas lembre-se: se você não tiver um Karate de verdade, quando a fase da competição terminar, o seu Karate também terminará.
* Aprenda o kata da sua faixa e sempre treine os anteriores, não queira aprender os katas das faixas superiores, não coloque o carro na frente dos bois.
* O kata é um treinamento individual, aprenda e tire dúvidas com o seu professor, mas a prática deve ser sua, treine em casa diariamente.
* Quebrar telhas, tijolos ou barras de gelo, podem ser atividades realizadas por qualquer um, basta praticar, não é necessário ser um karateca para realizar tais “proezas”, portanto se você achar interessante procure orientação, mas saiba que isto não lhe vai fazer um karateca melhor ou pior.
* Jamais participe de desafios, o verdadeiro karateca não precisa provar nada para ninguém. Se quiser colocar em pratica seus conhecimentos, lute na academia, em campeonatos e torneios, sempre com quem sabe, com quem esteja preparado. Da mesma forma nunca desafie ninguém.
* Pratique a humildade.
* Lembre-se que um dia você foi faixa branca. Nunca negue ajuda ou conhecimento, não ache ruim treinar ou lutar com um branca, tenha paciência e tolerância.